BC reduz projeção do PIB de 2025 e prevê alta de 1,5% em 2026
Banco Central do Brasil revisa PIB para 2% em 2025 e 1,5% em 2026, impactado por incertezas econômicas e inflação acima da meta.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 25/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
O Banco Central do Brasil anunciou uma revisão para baixo em sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano corrente, agora estimando um aumento de 2%. Esta atualização representa uma leve redução em relação à previsão anterior, divulgada em junho, que previa um crescimento de 2,1%.
Para o ano de 2026, a instituição monetária projeta uma expansão do PIB de apenas 1,5%, um número que se mostra mais conservador em comparação com as estimativas apresentadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva e as expectativas do mercado financeiro.
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A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda sugere um crescimento do PIB de 2,4% para o próximo ano, enquanto o mercado financeiro aponta para uma expectativa mais modesta de 1,8%, conforme indicado no último boletim Focus publicado na segunda-feira (22).
As novas estimativas do Banco Central foram divulgadas no relatório de política monetária emitido na quinta-feira (25), documento que sucedeu o antigo relatório trimestral de inflação e continua a ser publicado regularmente.
A revisão das expectativas é atribuída, em parte, aos impactos “ainda incertos” resultantes dos aumentos nas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Este cenário afeta negativamente o desempenho industrial, os investimentos e o setor externo, reforçando a tendência de desaceleração da economia nacional.
Os dados que indicam uma moderação na atividade econômica durante o terceiro trimestre também foram considerados nas avaliações da autoridade monetária. No entanto, esses fatores foram parcialmente equilibrados por previsões mais otimistas para os setores agropecuário e extrativo.
No relatório, a expectativa é de que essa moderação econômica continue ao longo do segundo semestre de 2025 e persista até o ano seguinte.
As projeções para 2026 levaram em conta a manutenção de uma política monetária restritiva, a baixa utilização dos fatores produtivos e a previsão de desaceleração da economia global, além da ausência do impulso agropecuário observado em 2025.
A desaceleração econômica está intimamente relacionada ao ciclo das taxas de juros adotado pelo Banco Central como parte de suas estratégias para conter a inflação. Recentemente, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano pela segunda vez consecutiva, reiterando a intenção de manter os juros elevados por um período prolongado para garantir que a inflação se converta às metas estabelecidas.
O Banco Central alertou que a inflação permanecerá acima do limite superior da meta nos próximos meses e que mesmo após a queda iniciada no segundo trimestre, ela ainda ficará acima do alvo estipulado. As previsões apontam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) não atingirá o centro da meta até pelo menos o final do primeiro trimestre de 2028.
A meta central estabelecida pela autoridade monetária é de 3%. No modelo contínuo adotado, considera-se que a meta foi descumprida quando a inflação acumulada se mantém fora dos limites toleráveis por seis meses consecutivos.
Recentemente, ocorreu o primeiro descumprimento da meta desde que este novo formato foi implementado. Na justificativa apresentada ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, atribuiu este descumprimento à atividade econômica aquecida e às expectativas inflacionárias distantes da meta estabelecida.
Além disso, devido aos efeitos defasados das políticas monetárias sobre a economia, as atenções estão voltadas para a inflação prevista para o primeiro trimestre de 2027, projetada em 3,4%, acima do centro da meta.
No que diz respeito ao crédito, o Banco Central observou um endurecimento nas condições do mercado e um aumento na inadimplência nos últimos meses, especialmente entre pessoas físicas.
A autarquia indicou que as concessões de crédito diminuíram devido ao aumento das taxas de juros e às incertezas relacionadas ao crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS.
No relatório recente, houve uma revisão ascendente na estimativa de crescimento do crédito no Brasil para este ano, passando de 8,5% para 8,8%. Essa nova projeção reflete dados mais robustos sobre o saldo de crédito no segundo trimestre. Apesar desse aumento nas expectativas, ainda se observa uma queda significativa em relação ao crescimento registrado em 2024, que foi de 11,5%, alinhando-se à realidade dos juros elevados e à menor expansão econômica prevista para este ano.
Segundo as projeções da autoridade monetária, espera-se que o ritmo de desaceleração no crescimento do saldo se mantenha em 2026 com uma expectativa de aumento limitado a 8%.