BC realiza primeira reunião do Copom sob nova presidência e avalia aumento da selic
Essa será a quarta elevação consecutiva da Selic
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 28/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Nesta terça-feira (28), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) dará início à sua primeira reunião sob a liderança do novo presidente Gabriel Galípolo. Diante da recente desvalorização do real e do aumento significativo nos preços dos alimentos, a diretoria do BC se reunirá para deliberar sobre o ajuste na taxa básica de juros, conhecida como Selic.
Essa será a quarta elevação consecutiva da Selic. De acordo com os dados mais recentes do boletim Focus, uma pesquisa semanal que reúne estimativas de analistas de mercado, a expectativa é que a taxa suba 1 ponto percentual nesta reunião, passando de 12,25% para 13,25% ao ano.
Em seu comunicado após a última reunião, realizada em dezembro, o Copom já havia indicado a intenção de aumentar os juros básicos em 1 ponto percentual nas reuniões programadas para janeiro e março. O comitê justificou essa decisão pelas incertezas externas crescentes e pela instabilidade gerada pelo pacote fiscal do governo no final do ano anterior, o que demanda um aumento nos juros básicos no início de 2025.
A decisão final será anunciada pelo Copom na quarta-feira (29). A Selic já havia sido elevada anteriormente após permanecer em 10,5% ao ano entre junho e agosto do ano passado, com sucessivas altas desde setembro daquele ano.
Perspectivas inflacionárias
No registro da reunião anterior, o Copom destacou a necessidade de prolongar o ciclo de alta da Selic. O órgão enfatizou que o cenário econômico atual requer uma postura monetária contracionista e reiterou a intenção de realizar duas elevações adicionais de 1 ponto percentual. O BC apontou para o aumento recente da cotação do dólar e da inflação como razões para uma política ainda mais rigorosa.
O último boletim Focus revelou que a previsão de inflação para 2025 aumentou de 4,96% para 5,5%, superando assim o teto estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% para este ano. Essa meta pode ser ampliada até 4,5%, considerando o intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Importância da Taxa Selic
A taxa Selic é fundamental nas transações relacionadas aos títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional através do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para as demais taxas da economia. Este índice é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. O BC atua diariamente em operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos – com o objetivo de manter a taxa próxima ao valor estipulado durante as reuniões do Copom.
O aumento na taxa básica visa conter uma demanda aquecida e tem repercussões diretas sobre os preços; juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança. Contudo, essa política pode também dificultar a expansão econômica. Além da Selic, instituições financeiras levam em conta outros fatores ao determinar as taxas cobradas dos consumidores, como risco de inadimplência e custos operacionais.
Por outro lado, uma redução na Selic tende a baratear o crédito, estimulando tanto a produção quanto o consumo e contribuindo para a desaceleração da inflação.
As reuniões do Copom ocorrem a cada 45 dias. No primeiro dia, são apresentadas análises técnicas sobre a evolução das economias nacional e internacional e sobre o desempenho do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do comitê avaliam as possibilidades e definem a nova taxa Selic.
Sistema de Meta Contínua
A partir deste mês, está em vigor um novo sistema de meta contínua onde o Banco Central deve perseguir uma meta de inflação estabelecida pelo CMN em 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual tanto para cima quanto para baixo. Portanto, os limites inferior e superior são fixados em 1,5% e 4,5%, respectivamente.
No modelo contínuo, as metas são revisadas mensalmente com base na inflação acumulada em um período de 12 meses. Em janeiro de 2025, por exemplo, a inflação desde fevereiro de 2024 será comparada com a meta estabelecida e seu intervalo tolerável. Essa verificação se torna dinâmica ao longo do tempo, não mais restrita apenas aos índices fechados em dezembro.
No último Relatório de Inflação divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, as previsões indicavam que o IPCA encerraria 2025 em torno de 4,5%, embora essa estimativa possa ser ajustada conforme as flutuações do dólar e da inflação. Um novo relatório será apresentado no final de março.