Bate-papo sobre a Ditadura no Museu de Santo André
‘Sarau da Resistência’ promove diálogo, nesta quinta-feira (27), entre jovens dos anos 60 e 70 e os de hoje objetivando resgatar a memória histórica da Ditadura civil militar no Brasil
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 22/08/2023
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Derly Carvalho abre o primeiro encontro do Sarau da Resistência, debatendo as experiências na China de Mao Tse Tung e os treinamentos militares na Academia Militar de Nanking. Mineiro e torneiro mecânico, iniciou sua militância política em 1961, em São Bernardo, na Associação dos Metalúrgicos. Foi integrante do Partido Comunista Brasileiro, diretor fundador do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e também da Ala Vermelha, do Partido Comunista do Brasil (1968). Foi preso pela Ditadura em 1969 e, dois anos depois, banido para o Chile.
Para Derly, o melhor caminho para que as gerações pós anos 1960 tenham conhecimento de como era a realidade dos anos 50, 60 e 70 é a troca de experiências. “Os 21 anos da última Ditadura no Brasil interrompeu o processo de politização e organização da sociedade, por meio da repressão aos movimentos sociais, principalmente as intervenções nos sindicatos e assassinatos que poderiam tornar-se os quadros de lideranças na administração do estado. Isso criou uma desinformação total da história recente do País, após a anistia de 1979, que tem causado grandes obstáculos no fortalecimento de nossa jovem democracia”, afirma.
EXPERIÊNCIA CHINESA – “Passei o ano de 1966 na China para conhecer as experiências da revolução que estavam trazendo grandes contribuições para a luta dos trabalhadores naquele momento, quando o mundo estava dividido em dois blocos antagônicos: a Guerra do Vietnã e dois modelos de sociedade (socialista e capitalista), além do caminho da Terceira Guerra Mundial”, recorda Derly. Em sua participação no sarau, ele pretende destacar também, além deste episódio e da riqueza dos séculos de criação da sociedade chinesa, o modelo de produção e organização da revolução, principalmente a produção coletiva.
O Sarau da Resistência tem como objetivos resgatar a memória histórica da luta dos jovens das décadas de 60 e 70 os quais resistiram à Ditadura civil militar e compartilhar com os adolescentes de hoje diálogos sobre os fatos históricos. O evento tem programação prevista até novembro. Para realizar a iniciativa, foram firmadas parcerias com os sindicatos dos Metalúrgicos do ABC, Bancários do ABC, Metalúrgicos de Santo André e dos Servidores Públicos de Santo André.
SERVIÇO
‘Sarau da Resistência’ – Diálogo histórico dos jovens das décadas de 60 e 70 com os jovens de hoje
Data: nesta quinta-feira (27)
Horário: 19h
Local: Museu de Santo André (Rua Senador Fláquer, 470, ou rua Gertrudes de Lima, 499 – Centro)