Barragem da Penha: estrutura crucial para controle de cheias em São Paulo
Equipamento ajuda na gestão do nível do rio Tietê e a conter possíveis inundações nos dias com grandes volumes de chuva
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 07/02/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
A Barragem da Penha, situada na zona leste de São Paulo e inaugurada em 1983, desempenha um papel vital no gerenciamento do nível do rio Tietê, visando a prevenção de alagamentos e inundações na capital e em sua grande metrópole. Recentemente, após as intensas chuvas que atingiram a região no último final de semana, a barragem mostrou sua eficácia ao evitar o transbordamento do rio e reduzir os danos provocados pelo forte temporal.
O transbordamento do Tietê tem um efeito dominó, impactando todos os seus afluentes e, consequentemente, causando problemas em diversas áreas ao redor. Portanto, a operação da Barragem da Penha é essencial para assegurar a proteção de toda a grande São Paulo.
O funcionamento habitual da barragem envolve a manutenção das comportas abertas. Contudo, esta abordagem é revista quando o nível do rio na cidade alcança 720 metros de altitude. Em situações onde as chuvas se intensificam e o volume de água aumenta, as comportas são fechadas conforme a norma operacional estabelecida, permitindo que a estrutura retenha uma parte do fluxo hídrico proveniente das chuvas nas nascentes do Tietê.
Uma vez que o nível atinge 723 metros, a água começa a transbordar sobre as comportas. Isso indica que uma fração da vazão ainda é retida, enquanto o excesso segue seu curso natural em direção à capital. É importante notar que a área sob influência do fechamento da barragem é limitada a uma distância de 5 km para trás das comportas, abrangendo regiões como a USP Leste.
Dentro dessa área está localizado o Parque Ecológico do Tietê, projetado para proteger a várzea do rio. Durante fortes chuvas, o Tietê expande seu leito e ocupa a área do parque. Assim que as precipitações cessam e o nível do rio diminui, o parque retorna à sua função recreativa para os moradores. Sem essa estrutura ecológica, a várzea poderia ter sido ocupada por edificações suscetíveis a alagamentos.
A reabertura das comportas ocorre quando o nível do Tietê abaixo da barragem recua para 718 metros acima do nível do mar. É importante destacar que bairros como Jardim Pantanal e São Miguel estão situados em altitudes superiores a 729 metros, ultrapassando o nível máximo da barragem da Penha.
Nelson Lima, diretor da SP Águas, explica que a principal função da barragem é regular a vazão do rio na seção onde as comportas estão localizadas. “Quando ocorrem chuvas intensas no estado, o nível do rio sobe e fechamos as comportas para garantir que essa vazão seja controlada e que o rio suporte o fluxo sem extravasar. É fundamental ressaltar que as barragens não bloqueiam o fluxo natural da água; elas apenas asseguram um controle adequado sobre a vazão”.
Lima também destacou que existem várias estruturas ao longo do Tietê, operadas tanto pela SP Águas quanto pela Emae, todas integradas em um sistema de controle para este rio que atravessa uma área densamente urbanizada.
Conforme dados fornecidos pelo Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) e pela Defesa Civil do Estado de São Paulo, durante os primeiros dias de fevereiro, São Paulo registrou um total de 161 milímetros (mm) de chuva. Este volume representa aproximadamente 65% da precipitação esperada para todo o mês (246 mm). Os bairros mais impactados incluem Jardim Pantanal e Jardim Helena, ambos situados em altitudes superiores à da barragem e separados por uma distância de 14 km; quando as comportas estão fechadas, os níveis dos rios permanecem abaixo dessas localidades.