Bar em São Bernardo é interditado por suspeita de bebidas com metanol

Mulher de 30 anos está internada em estado grave no Hospital de Clínicas por suspeita de contaminação por metanol

Crédito: Divulgação

Nesta terça-feira, 30 de setembro, a Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo tomou uma ação decisiva ao interditar um bar em São Bernardo do Campo, em decorrência de suspeitas de comercialização de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. Essa substância tóxica tem sido associada a uma série de internações e fatalidades no estado, incluindo três mortes registradas no município em questão.

A interdição foi parte de uma força-tarefa coordenada entre as Vigilâncias Sanitárias do Estado e da Capital, em colaboração com a Polícia Civil. Este esforço surge em resposta ao alarmante aumento nos casos de intoxicação por metanol. As autoridades enfatizam que as operações possuem caráter cautelar e que o vínculo dos estabelecimentos com os casos de intoxicação está sendo minuciosamente investigado.

Além do bar interditado em São Bernardo, outras duas casas noturnas na Capital paulista, localizadas nos bairros dos Jardins e Mooca, também foram alvo de fiscalização e posteriormente interditadas. Nessas operações, mais de 100 garrafas de bebidas sem rótulo ou comprovação de origem foram confiscadas.

Informações adicionais da Prefeitura de São Bernardo revelam que uma mulher de 30 anos permanece internada em estado grave no Hospital de Clínicas devido à suspeita de contaminação por metanol. Com essa atualização, o município já contabiliza três mortes suspeitas ligadas à ingestão de bebidas adulteradas. As vítimas fatais incluem homens de diferentes idades: um de 38 anos faleceu em 18 de setembro, outro de 58 anos morreu em 24 de setembro e um terceiro homem, de 45 anos, perdeu a vida em 28 de setembro.

Em resposta a esta crise crescente, o Governo do Estado anunciou a formação de um gabinete especial para tratar especificamente dos casos relacionados à intoxicação por metanol. Até o presente momento, sete casos confirmados foram reportados no estado, todos associados à ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas. Além disso, há 15 casos adicionais sob investigação e cinco mortes que estão sendo analisadas.

A força-tarefa não se restringiu apenas às interdições em bares. Em ações realizadas em diversas regiões da Capital, como no bairro Planalto Paulista (Zona Sul), um minimercado teve mais de 40 garrafas de whiskies, gins e vodcas apreendidas e seu funcionamento suspenso. O responsável pelo estabelecimento foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos sobre a procedência das bebidas.

No M’Boi Mirim, uma distribuidora teve suas atividades parcialmente suspensas após a lacração de parte dos produtos ali armazenados. Os proprietários foram instruídos a apresentar notas fiscais comprovando a legalidade das mercadorias.

É fundamental ressaltar que a intoxicação por metanol é extremamente grave e pode resultar em cegueira permanente ou até mesmo morte. A substância é frequentemente encontrada em bebidas alcoólicas clandestinas e também está presente em produtos como solventes e combustíveis.

O secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, destacou a importância do diagnóstico rápido e do tratamento adequado. “Atendimentos precoces podem fazer toda a diferença; o antídoto disponível é eficaz se administrado logo no início da intoxicação. Contudo, casos mais avançados podem exigir hidratação intensa e medicamentos específicos para tratar a acidose metabólica”, alertou.

A Secretaria da Saúde recomenda que qualquer pessoa que apresente sintomas como dor abdominal severa, tontura, confusão mental ou visão turva após consumir bebidas alcoólicas busque imediatamente atendimento médico. O tratamento nas primeiras seis horas após o início dos sintomas é crucial para evitar complicações sérias.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 01/10/2025
  • Fonte: Fever