Banco Master X STF: a Justiça e a Democracia em risco e um Supremo sob suspeita

A liquidação da instituição levanta suspeitas sobre a conduta de ministros do STF e ameaça a credibilidade da Justiça no Brasil.

Crédito: Divulgação

Confiança é o principal patrimônio de qualquer Tribunal. Sem ela, decisões perdem autoridade, sentenças ficam sem legitimidade e a Justiça deixa de cumprir sua função essencial. É por isso que os fatos revelados recentemente sobre o Banco Master, liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central em meio à acusação de fraude bilionária, não podem ser tratados como mais um episódio do noticiário.

O que mais preocupa, hoje, não é, tão somente, a dimensão deste, que é o maior escândalo financeiro da história republicana brasileira, mas o conjunto de informações que passou a levantar dúvidas sobre a condução por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) – que está à frente do processo.

Reportagens apontam que o ministro Dias Toffoli, da Alta Corte, avocou para si o inquérito e passou a concentrar decisões relevantes, muitas delas monocráticas e sob sigilo – o que gerou questionamentos da comunidade jurídica e até mesmo desconforto dentro do próprio Supremo. Segundo apurações da Imprensa, o magistrado restringiu o acesso a provas e indicou procedimentos considerados atípicos na condução da perícia de possíveis provas.

O ministro do STF Dias Toffoli
Gustavo Moreno/STF

Há, ainda, reportagens que revelam relações indiretas entre familiares de Toffoli com um empreendimento que recebeu investimentos ligados ao entorno do principal investigado do caso, o empresário Daniel Vorcaro, diretor-presidente do Banco Master.

Outro fato divulgado recentemente que chama a atenção da nação diz respeito a uma viagem do ministro do STF em aeronave privada na qual também estava um advogado ligado ao Master — isso, logo após a distribuição do processo ao Gabinete de Toffoli.

Que fique claro: nenhum desses fatos, isoladamente, constitui prova de irregularidade. Porém, há de se considerar que o conjunto da obra produz algo que nenhuma Democracia deve ignorar: uma dúvida legítima sobre imparcialidade. Ora, cada decisão tomada por um magistrado sob suspeita leva à deterioração da credibilidade na própria Corte. E, quando a Justiça perde a confiança da população, todo o sistema democrático fica em risco.

Toffoli não resistiu à pressão e deixou a relatoria do caso, no último dia 12. Contudo, não se livrará das rusgas de seus atos e poderá responder, no Parlamento, a processo de afastamento, por possível crime de responsabilidade.

Rosinei Coutinho/SCO/STF

Como deputada federal em segundo mandato, eleita para representar milhões de brasileiros, entendo que, quando surgem fatos que colocam em dúvida a atuação de um ministro da Alta Corte, não há espaço para omissão. Por isso, estou entre os parlamentares que assinaram o pedido de Impeachment – instrumento constitucional do Estado Democrático de Direito – de Toffoli.

O Senado Federal, a quem cabe a prerrogativa do impedimento de integrantes da Mais Alta Corte do País e que tem o poder constitucional para agir, precisa, agora, exercer sua função com independência, coragem e compromisso com a Constituição Federal.

A Imprensa tem o dever de investigar e de informar com independência. Ao Parlamento, cabe a obrigação de fiscalizar e de interferir sempre que necessário. E à sociedade, resta o direito de exigir transparência e responsabilidade de todos esses atores sociais. A Democracia, não nos esqueçamos, exige vigilância permanente.

Dep Fed Rosana Valle
Divulgação

*Rosana Valle é deputada federal pelo PL-SP, em segundo mandato; presidente da Executiva Estadual do PL Mulher de São Paulo; jornalista há mais de 25 anos; e autora dos livros “Rota do Sol 1” e “Rota do Sol 2”

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 19/02/2026
  • Fonte: Fever