Banco do Brasil aponta queda de lucro em 3º Trimestre de 2024
Deterioração da carteira de crédito e aumento de provisões impactam diretamente o resultado do Banco do Brasil (BB)
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 12/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O Banco do Brasil (BB) reportou mais um balanço pressionado, encerrando o terceiro trimestre deste ano com um resultado que acende o sinal de alerta no mercado financeiro. O lucro líquido ajustado da instituição atingiu R$ 3,785 bilhões, representando uma queda expressiva de 60,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A performance do banco estatal segue amplamente influenciada pelo aumento da inadimplência, especialmente no setor do agronegócio, e pela consequente elevação das provisões para devedores duvidosos.
Na análise trimestral, o resultado se manteve estável em relação ao segundo trimestre, o que, para alguns analistas, indica uma consolidação do patamar de baixa rentabilidade.
ROE do Banco do Brasil atinge mínima histórica
Um dos indicadores mais críticos do balanço é o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE). O índice do Banco do Brasil fechou o terceiro trimestre em 8,4%. Embora tenha permanecido estável em relação ao segundo período do ano, o patamar é significativamente inferior aos 21,1% registrados há 12 meses. O número de 8,4% leva o ROE ao seu menor nível desde 2016, evidenciando os desafios que o banco público enfrenta para manter sua rentabilidade em meio ao cenário de crédito mais rigoroso.
Apesar da queda no lucro e da baixa rentabilidade, o volume de ativos do BB demonstrou crescimento. A instituição fechou o terceiro trimestre com um total de R$ 2,538 trilhões em ativos, o que representa um aumento de 2,8% em relação a igual período do ano passado, sinalizando a manutenção de sua robustez patrimonial e de seu porte como um dos maiores bancos do país.
O efeito agronegócio e a expansão da carteira de Crédito
A carteira de crédito expandida total do Banco do Brasil apresentou crescimento de 7,5% em doze meses, alcançando R$ 1,278 trilhão. No entanto, houve uma leve retração de 1,2% na comparação trimestral. A alta anual foi impulsionada sobretudo pelo segmento de Pessoa Jurídica, que cresceu 10,4% em um ano, atingindo um saldo de R$ 410,193 bilhões. A carteira de Pessoa Física também demonstrou expansão de 7,9% no período, chegando a R$ 324,895 bilhões.
O ponto focal da pressão no resultado, contudo, é a carteira do agronegócio. Este segmento, que tem sido o principal alvo dos problemas de inadimplência enfrentados pelo Banco do Brasil, registrou um crescimento mais modesto de 3,2% em 12 meses, somando R$ 386,571 bilhões no terceiro trimestre. A baixa performance do lucro está intrinsecamente ligada à necessidade de reforçar as provisões para cobrir possíveis calotes nesta área, onde a deterioração da qualidade do crédito tem sido notável.
Margem Financeira: O contraste entre clientes e mercado
Apesar da turbulência no lucro líquido, a Margem Financeira Bruta do Banco do Brasil exibiu resiliência, totalizando R$ 26,365 bilhões, com alta de 1,9% em um ano e expansão de 5,1% no trimestre. Este resultado positivo foi puxado majoritariamente pela margem com clientes, que alcançou R$ 24,628 bilhões, um avanço de 18,6% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Em contrapartida, a margem com o mercado sofreu uma forte retração, caindo 66% em um ano, para R$ 1,737 bilhão. Isso sugere que, embora o banco tenha conseguido gerar mais receitas com suas operações diretas de crédito e serviços aos clientes, a gestão da carteira e o ambiente macroeconômico, incluindo novas regras contábeis para reconhecimento de receitas, impuseram um custo de crédito elevado, engolindo grande parte do lucro final e comprometendo a rentabilidade geral da instituição.