Banco do Brasil apresenta queda no lucro líquido no início de 2025
Inadimplência e novas regras contábeis impactam resultados
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 16/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
No primeiro trimestre de 2025, o Banco do Brasil (BB) registrou um lucro líquido ajustado de R$ 7,3 bilhões, refletindo uma redução de 20,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior e uma diminuição de 23% em relação ao quarto trimestre de 2024. Essa informação foi divulgada pela instituição na noite da última quinta-feira, dia 15.
Esse resultado marca o primeiro declínio após um impressionante ciclo de 16 trimestres consecutivos de crescimento, evidenciando desafios significativos enfrentados pelo banco. Entre os fatores que contribuíram para essa queda estão as novas normas contábeis e o aumento da inadimplência no agronegócio, setor em que o BB é líder.
De acordo com comunicado oficial do Banco do Brasil, a implementação de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que revisou as práticas contábeis das instituições financeiras, teve impacto direto nos resultados financeiros. Embora essas novas regras tenham sido aprovadas em 2021, elas só começaram a ser aplicadas em janeiro de 2025.
A nova regulamentação altera a forma como as provisões para perdas esperadas são calculadas, mudando o modelo anterior. Com isso, o reconhecimento das receitas provenientes de operações classificadas como estágio 3 (com atrasos superiores a 90 dias) passou a ser feito pelo regime de caixa, resultando na não contabilização de R$ 1 bilhão em receitas de crédito. Esse método exige que as receitas sejam reconhecidas apenas quando os valores são efetivamente recebidos pela instituição.
O índice de inadimplência também apresentou alta, subindo para 3,86% no primeiro trimestre, comparado aos 3,32% do quarto trimestre anterior e aos 2,90% do mesmo período do ano passado. O Banco do Brasil atribui essa elevação à elevação da Taxa Selic e às dificuldades enfrentadas pelo agronegócio devido a quebras de safra nos últimos dois anos. Nesse contexto, a inadimplência no agronegócio alcançou 3,04% ao final de março, um aumento considerável frente aos 2,45% registrados em dezembro e aos 1,19% em março do ano passado.
Em resposta à diminuição do lucro, o BB está revisando suas projeções para o lucro líquido ajustado, margem financeira bruta e custo do crédito para o ano de 2025. Novos números devem ser divulgados em breve.
As previsões anteriores estimavam um lucro líquido ajustado entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões e uma margem financeira bruta entre R$ 111 bilhões e R$ 115 bilhões, além de um custo do crédito projetado entre R$ 38 bilhões e R$ 42 bilhões.
Apesar da redução no lucro, a instituição observou um aumento na concessão de crédito durante o primeiro trimestre. A carteira ampliada de crédito encerrou março com um total de R$ 1,278 trilhão, marcando uma elevação de 1,1% em relação ao trimestre anterior e um expressivo crescimento de 14,4% em relação ao ano passado.
A distribuição dos empréstimos por segmento revelou resultados significativos:
- Pessoa Física: R$ 335,8 bilhões ao final de março, crescimento de 1,2% no trimestre e 6,6% em um ano.
- Pessoa Jurídica: R$ 459,9 bilhões, aumentando 1,6% no trimestre e surpreendendo com um crescimento anual de 22,4%. Desse total, R$ 141,3 bilhões foram destinados a grandes empresas.
- Agronegócios: R$ 406,2 bilhões registrados com um aumento anual de 9%, destacando-se as linhas voltadas para custeio e investimento.
- Crédito Sustentável: A carteira alcançou R$ 393,5 bilhões com um crescimento significativo tanto trimestral quanto anual.
No que diz respeito às receitas e despesas da instituição financeira, as receitas provenientes da prestação de serviços caíram 9% no primeiro trimestre; contudo, apresentaram leve alta de 0,2% ao longo dos últimos doze meses. As despesas administrativas diminuíram levemente em relação ao trimestre anterior (-0,1%), mas registraram um aumento considerável de 7% quando comparadas ao mesmo período do ano passado.