Banco Central intervém novamente no mercado para conter alta do dólar

A moeda americana já acumula alta de quase 25% no ano, em meio a incertezas fiscais e crescente demanda por divisas

Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Na manhã desta segunda-feira, 16 de outubro, o Banco Central do Brasil (BC) realizou dois leilões de dólares, totalizando US$ 4,6 bilhões, na tentativa de conter a ascensão da moeda americana, que já se encontrava acima dos R$ 6 desde a divulgação de um novo pacote fiscal pelo governo no final de novembro. Após a abertura do mercado, o dólar alcançou a cotação de R$ 6,0986, apresentando uma alta de 1,12%.

O primeiro leilão consistiu em uma oferta à vista de US$ 1,6 bilhão, com todas as unidades vendidas a uma taxa de R$ 6,04. Em seguida, foi realizado um segundo leilão, de US$ 3 bilhões com compromisso de recompra, conhecido como leilão de linha. Este lote também teve demanda total e foi esgotado.

Apesar das intervenções do BC, o preço do dólar continuou sua trajetória ascendente. Às 11h37, a cotação à vista estava em R$ 6,0663, refletindo uma alta de 0,58%. Nos últimos trinta dias, a moeda americana acumulou um aumento de 4,80% e, no ano, quase 25%.

As medidas adotadas pelo Banco Central visam atender à crescente demanda por divisas por parte das empresas que buscam remeter dividendos ao exterior no final do ano. No entanto, essa injeção de liquidez não conseguiu mudar o sentimento geral do mercado financeiro que permanece cauteloso em relação ao cenário fiscal brasileiro.

A apresentação do pacote fiscal pelo governo acabou intensificando as incertezas sobre a capacidade da administração pública em melhorar as contas públicas. Essa desconfiança repercutiu diretamente na cotação do câmbio.

Em resposta a esse contexto adverso, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu na última semana elevar a taxa básica de juros em um ponto percentual, passando de 11,25% para 12,25%, com indicações de novas altas nas próximas reuniões.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também se manifestou nesta manhã garantindo que o governo está comprometido em cumprir as metas fiscais estabelecidas. Ele afirmou que o presidente está bem informado sobre as ações fiscais que tramitam no Senado e na Câmara dos Deputados.

A Câmara dos Deputados agendou para hoje uma sessão deliberativa extraordinária virtual às 17h com a expectativa de avançar na votação da regulamentação da reforma tributária e nas propostas ligadas ao pacote fiscal.

O prazo é curto: até sexta-feira haverá necessidade de aprovar um conjunto de cortes orçamentários totalizando R$ 70 bilhões antes do recesso parlamentar que inicia no dia 23 e se estende até o dia 1º de fevereiro de 2025. Além disso, são aguardadas votações da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA).

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 16/12/2024
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping