Banco Central eleva selic em resposta à inflação e taxa de câmbio
Entenda as razões e os impactos no cenário econômico brasileiro
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 17/12/2024
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil anunciou um aumento na taxa básica de juros, a Selic, em 1 ponto percentual, elevando-a para 12,25% ao ano. Esta decisão foi motivada por uma combinação de fatores, incluindo a recente valorização da taxa de câmbio e o cenário inflacionário atual.
A ata da reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira (17), destaca que as reações do mercado financeiro ao pacote fiscal implementado pelo governo federal contribuíram para um ambiente inflacionário mais desafiador. O comitê identificou a necessidade de uma abordagem ainda mais restritiva em termos de política monetária.
Segundo o documento, “a percepção dos agentes econômicos em relação ao recente anúncio fiscal impactou significativamente os preços dos ativos e as expectativas, especialmente no que tange ao prêmio de risco, às previsões de inflação e à taxa de câmbio”.
O Copom observou que tanto o prêmio de inflação derivado de instrumentos financeiros quanto as expectativas inflacionárias aumentaram, exigindo uma resposta mais rigorosa da política monetária. As reações adversas do mercado financeiro em relação ao pacote fiscal, que incluiu cortes de gastos e elevação do limite de isenção do Imposto de Renda, levaram a um aumento histórico no valor do dólar, superando pela primeira vez a marca dos R$ 6.
O cenário mais desafiador para alcançar a meta de inflação para 2024, que é de 3% com uma margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%, pode resultar em novas elevações na Selic nas próximas reuniões programadas para janeiro e março. O Comitê indicou que, caso as condições se mantenham como esperadas, ajustes adicionais podem ocorrer nas próximas reuniões.
Além disso, a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o indicador oficial da inflação no Brasil, teve um leve aumento: passou de 4,84% para 4,89% em 2023. As projeções também foram ajustadas para anos seguintes: 4,59% em 2025 e estimativas de 4% e 3,66% para 2026 e 2027, respectivamente.
A ata menciona que os preços dos alimentos estão subindo substancialmente devido à estiagem enfrentada durante o ano e ao aumento nos preços das carnes. O Comitê alerta que essa pressão inflacionária tende a se estender no médio prazo. Com relação aos produtos industrializados, a valorização da moeda estrangeira está influenciando os custos e as margens, sugerindo novos aumentos nos próximos meses.
O Copom enfatizou que a deterioração do cenário inflacionário no curto e médio prazo requer uma ação mais rápida para assegurar a convergência da inflação à meta estabelecida.
No tocante ao pleno emprego e à dinâmica econômica geral, o Banco Central ressaltou a resiliência da economia brasileira. A ata afirmou: “Sem desconsiderar seu objetivo primordial de garantir a estabilidade dos preços, essa decisão [de elevar a Selic] também visa mitigar flutuações na atividade econômica e promover o pleno emprego”.
Ainda conforme o documento do Copom, os mercados financeiros têm surpreendido positivamente com um crescimento superior às expectativas mesmo diante das altas taxas de juros. Contudo, em um ambiente caracterizado por juros elevados e altos índices de inadimplência, é necessário um cuidado adicional na concessão de crédito.
O Comitê reiterou sua defesa por políticas monetárias e fiscais contracíclicas que busquem evitar estímulos excessivos à economia. A avaliação é que uma diminuição nos esforços voltados às reformas estruturais e disciplina fiscal poderia elevar a taxa neutra de juros da economia, afetando negativamente a eficácia da política monetária.
Com relação ao cenário internacional, o Copom considera que continua desafiador devido à incerteza econômica nos Estados Unidos. Essa situação gera dúvidas sobre o ritmo da desaceleração econômica americana e suas repercussões na política monetária do Federal Reserve (Fed).
A análise conclui ressaltando que o ambiente global incerto requer cautela redobrada na condução da política monetária nacional.
Vale lembrar que esta foi a terceira alta consecutiva da Selic. A taxa retorna ao nível registrado em dezembro do ano anterior após um ciclo de contração monetária iniciado há alguns meses. Após permanecer em 13,75% ao ano por um ano inteiro entre agosto de 2022 e agosto de 2023, houve seis cortes seguidos antes da atual elevação.