Banco Central eleva previsões de inflação e PIB

Juros e câmbio sobem, adicionando pressão à economia brasileira

Crédito: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Banco Central divulgou recentemente dados que indicam um aumento nas previsões econômicas, afetando tanto a inflação quanto o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para os próximos anos. Segundo o relatório “Focus”, compilado a partir de consultas a mais de 100 instituições financeiras, as expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foram elevadas de 4,71% para 4,84% em 2024. Essa estimativa ultrapassa o teto da meta de inflação de 4,50%, desafiando a meta central de 3%.

Caso a meta não seja alcançada, o Banco Central será obrigado a justificar formalmente ao Ministro da Fazenda as razões para tal desvio. Este aumento na projeção inflacionária segue-se à divulgação do IPCA de setembro, que sofreu pressões devido a fatores climáticos e ao aumento dos gastos públicos. Em resposta, o governo anunciou medidas para conter despesas, incluindo ajustes no salário mínimo e cortes em áreas como educação.

Para 2025, a previsão inflacionária também foi revisada para cima, passando de 4,40% para 4,59%, ultrapassando novamente o teto estabelecido. A perspectiva para 2026 subiu levemente de 3,81% para 4%. O Banco Central mantém sua estratégia de ajustar a taxa básica de juros, atualmente em 11,25%, com previsão de alta até o fim do ano. Para 2024 e 2025, as taxas esperadas são de 12% e 13,50%, respectivamente.

No campo do PIB, as expectativas também são otimistas. A projeção para o crescimento econômico em 2024 foi ajustada de 3,22% para 3,39%, após um desempenho melhor que o esperado no terceiro trimestre deste ano. Para 2025, a previsão aumentou ligeiramente para 2%.

Outros indicadores econômicos também tiveram suas projeções alteradas. O câmbio esperado para o final de 2024 subiu para R$5,95 por dólar e para R$5,77 em 2025. A balança comercial deve registrar um superávit menor do que o anteriormente previsto para os próximos dois anos. Já os investimentos estrangeiros diretos devem apresentar uma leve queda na expectativa de ingresso.

Essas mudanças nas projeções refletem um cenário econômico desafiador, onde inflação e juros em alta afetam diretamente o poder de compra dos consumidores e podem influenciar decisões econômicas futuras do governo e do setor privado.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 09/12/2024
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping