Banco Central divulga Relatório de Mercado Focus da 3ª semana Setembro 2015

No relatório emitido as tendências permanecem: IPCA sobe, Selic aponta 14,25%, PIB retrai mais, inflação aumenta e dólar sobe

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Depois da retirada do selo de grau de investimento do Brasil pela Standard & Poors, a expectativa para a inflação de 2016 tem piorado seguidamente. Pela sétima semana consecutiva, a mediana das projeções para o IPCA do ano que vem, justamente onde está o foco de atuação do Banco Central neste momento, apresentou elevação no Relatório de Mercado Focus, subindo de 5,64% para 5 70% – há um mês, estava em 5,50%.

No Top 5 de médio prazo, grupo dos economistas que mais acertam as estimativas, a expectativa é ainda pior: a previsão está em 5 98% desde a semana passada. Quatro semanas antes estava em 5 37%. O BC promete levar a inflação para a meta de 4,5% no fim do ano que vem, mas recentemente, a autarquia vem chamando a atenção para “novos riscos” que surgiram para o comportamento dos preços. Pelos cálculos da instituição revelados no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado. Uma nova edição desse documento será divulgada no fim deste mês.

No caso da inflação de 2015, a mediana passou de 9,28% para 9 34%. Há quatro semanas, estava em 9,29%. No RTI de junho, o BC havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado. No Top 5 de médio prazo, o BC sentiu algum alento: a mediana para o IPCA de 2015 ficou estável em 9,37%, abaixo da projeção de um mês atrás, quando estava em 9,41%.

Para a inflação de curto prazo, a projeção para setembro passou de 0,41% para 0,43% – estava em 0,38% quatro semanas atrás. Já a de outubro, subiu de 0,47% para 0,49% de uma semana para outra ante taxa de 0,46% verificada há um mês. As expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente também pioraram na pesquisa Focus de hoje, passando de 5,72% para 5,82%.

PROJEÇÃO PARA SELIC NO FIM DE 2015 SEGUE EM 14,25%
A mudança das projeções do mercado financeiro para a Selic foi ainda marginal no Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 21, pelo Banco Central. Para este ano, as expectativas ficaram congeladas em 14,25% ao ano pela oitava semana seguida, assim como a mediana para a Selic média de 2015, que permaneceu em 13,63% ao ano pelo mesmo período.

Já para 2016, o documento divulgado há pouco pelo Banco Central, mostrou alta na mediana das previsões, passando de em 12,00% ao ano, depois de três semanas consecutivas neste nível, para 12 25% – há quatro edições do documento estava em 12%. A Selic média do ano que vem também foi alterada de 13,13% para 13,38%, a segunda alta consecutiva. Há um mês essa expectativa era de 13 13%.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudança para 2015: a Selic deve encerrar o ano em 14,25% – previsão apontada já há 13 semanas. A mediana das previsões para 2016, por outro lado, subiu de 12,13% ao ano, depois de cinco semanas consecutivas estável, para 12,38%.

RETRAÇÃO DO PIB EM 2015 PASSA DE -2,55% PARA -2,70%
Após a constatação de recessão econômica com a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre pelo IBGE e o rebaixamento brasileiro pela agência de classificação de risco Standard & Poors, a mediana das previsões de analistas do mercado financeiro no Relatório de Mercado Focus piorou ainda mais. De acordo com o documento divulgado nesta segunda-feira, 21, pelo Banco Central, a perspectiva de retração da economia este ano passou de 2,55% para 2,70% – um mês antes estava em queda de 2,06%. Para 2016, a mediana das previsões passou de -0 60% para -0,80% ante taxa de -0,24% de quatro semanas atrás.

Segundo o IBGE, o PIB brasileiro caiu 2,6% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro e 1,9% ante o mesmo período de 2014. O BC, apesar de também ter revisado para pior sua projeção para este ano, de queda de 0,6% para retração de 1 1%, segue mais otimista que o mercado. No Relatório Trimestral de Inflação de junho, a instituição informou que a mudança ocorreu em função de piora nas perspectivas para a indústria, cuja expectativa de PIB recuou de -2,3% para -3,0%. Uma nova edição do documento será apresentada no fim deste mês.

No boletim Focus de hoje, a projeção para a produção industrial também mostrou piora significativa: saiu de uma baixa de 6,20% para um recuo de 6,45%. Já para 2016, a mediana das estimativas foi reduzida de uma alta de 0,50% para +0,20%. Há quatro semanas as medianas destas previsões eram de, respectivamente, -5,20% e +1,00%.

Para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB, a projeção dos analistas também passou por ajustes. Para 2015, subiu de 36,20% para 36,30% de uma semana para outra. Para 2016, a taxa subiu de 39,10% para 39,20%. Há quatro semanas, estava em 38,50%.

EXPECTATIVAS DE INFLAÇÃO DO FOCUS PARA 2017 SE DISTANCIAM MAIS DO CENTRO DA META
As expectativas para a inflação de 2017 têm se distanciado do centro da meta perseguida pelo Banco Central, um IPCA de 4,5%. Dados do Boletim Focus, documento divulgado nesta segunda-feira, 21, mostram que a previsão passou de 4,70% para 4,74%. Entre as instituições que integram o Top 5, grupo que mais acerta as projeções, o indicador ficou estável em 4,80% entre uma semana e outra.

A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o IPCA de 2017 foi mantida em 4,50%, mas houve redução da margem de tolerância de 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo para 1,5 ponto porcentual. Para 2018 e 2019, não houve alterações das previsões, com taxas de 4,50% para os dois anos.

CÂMBIO PARA FIM DE 2016 SOBE DE R$ 3,80 PARA R$ 4,00
Pela primeira vez a projeção para a taxa de câmbio ao fim de 2016 atingiu os R$ 4,00 no boletim Focus, publicação semanal na qual o Banco Central reúne as expectativas de cerca de 100 analistas. Em 02 de janeiro o mercado tinha outra visão, esperava uma taxa de R$ 2,80 – de lá para cá o ajuste foi de 42 86% na estimativa. Essa forte correção ocorre quase duas semanas depois de o Brasil ter sido rebaixado pela Standard & Poors para 2016, de R$ 3,75 para R$ 3,91. Há quatro semanas essas estimativas eram de R$ 3,23 e R$ 3,55 respectivamente. Essas previsões podem piorar ainda mais nas próximas semanas enquanto o Brasil tenta não ser rebaixado por outras agências de classificação de risco e o governo tenta passar no Congresso o retorno da CPMF como forma para recompor as contas públicas.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 21/09/2015
  • Fonte: Sorria!,