Banco Central alerta sobre riscos da economia aquecida e inflação fora da meta

Galípolo compara atuação da instituição a um “chato da festa” e defende reformas estruturais como caminho para equilíbrio monetário até 2026

Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

Na última terça-feira, 22 de março, durante uma audiência pública realizada na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal (CAE), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, abordou a atual situação da economia brasileira. Ele ressaltou que o país continua experimentando um crescimento robusto, acima do seu potencial, sem que isso tenha gerado pressões inflacionárias significativas.

Galípolo e a metáfora da festa

Galípolo fez uma analogia ao papel do Banco Central em momentos de economia aquecida, afirmando que cabe à instituição ser o “chato da festa”. Ele comparou a atuação do BC ao ato de retirar a bebida quando a festa se torna excessivamente animada, mas também de incentivar os participantes a permanecerem quando há sinais de retração econômica. “Quando a festa está muito agitada e as pessoas começam a subir em cima da mesa, tira-se a bebida; mas quando elas estão querendo ir embora, é preciso dizer: ‘fiquem, vai ter mais bebida e música’,” comentou.

O presidente destacou a necessidade de desacelerar o crescimento econômico para evitar eventuais pressões inflacionárias. Ele citou indicadores favoráveis como taxas de desemprego em queda, aumento do crédito, vendas de veículos e avanço na construção civil, além da melhoria na renda das famílias.

Inflação, juros e metas futuras

Com relação à política monetária, Galípolo lembrou que em março o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu elevar a taxa básica de juros para 14,25% ao ano, numa tentativa de conter as pressões sobre os preços. Essa foi a quinta alta consecutiva da Selic, levando-a ao mesmo patamar registrado durante os anos críticos do governo Dilma Rousseff.

A decisão sobre os juros é fundamentada em um sistema de metas de inflação. Quando as previsões estão dentro das metas estabelecidas, há espaço para redução dos juros; caso contrário, tende-se à manutenção ou elevação da Selic. Com o novo sistema de metas que começará em 2025, a inflação será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%. O foco do Banco Central é sempre voltado para o futuro e as projeções de inflação, considerando que mudanças na Selic demoram entre seis a 18 meses para impactar plenamente a economia.

No momento atual, o Banco Central já está projetando suas metas até o segundo semestre de 2026. As expectativas do mercado para a inflação oficial nos anos seguintes são: 5,57% para 2025 (acima da meta), 4,5% para 2026, 4% para 2027 e 3,8% para 2028.

Recentemente, o BC também reconheceu que pode descumprir sua meta de inflação em junho deste ano, após seis meses consecutivos ultrapassando o teto de 4,5%. Em sua fala na CAE, Galípolo reiterou que mesmo com os juros elevados, a economia continua aquecida, sugerindo que os canais de transmissão da política monetária não estão funcionando como esperado.

Ele concluiu que a normalização da política monetária exigirá um esforço contínuo por meio de reformas estruturais que muitas vezes fogem da competência direta do Banco Central. “Vamos precisar de um amplo debate com a sociedade para alcançarmos nossos objetivos”, afirmou Galípolo.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 22/04/2025
  • Fonte: FERVER