Bancada do PSL é mais jovem, militar e empresária que a dos demais partidos

Composição do partido de Jair Bolsonaro na Câmara e no Senado revela ampla maioria de homens (83%) e de brancos (72%) similar a média das outras legendas

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Com 52 deputados e quatro senadores eleitos, o PSL tomou o Congresso de súbito: até setembro, sua bancada se resumia a oito membros na Câmara. Mas quem são esses parlamentares que devem assumir cargo na nova legislatura?

Considerado um partido nanico até a divulgação dos resultados eleitorais deste domingo (7), o grupo que abriga a candidatura de Jair Bolsonaro ao Planalto tornou-se a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados e elegeu seus primeiros representantes no Senado.

A maior parte dos candidatos da legenda embarcou na popularidade e no discurso do capitão do Exército que tenta chegar à Presidência. Não faltam nomes de urna que ostentam títulos como “Major” , “Delegado” ou “Coronel” – até “General”.

A proximidade com o meio militar é a característica mais óbvia desse movimento político, mas há outros aspectos em que o PSL difere do restante do Congresso. Para descobrir peculiaridades do grupo, o Estado comparou quem foi eleito pela sigla com os parlamentares eleitos por outros partidos.

A onda bolsonarista é diferente do restante do Congresso em relação à idade, patrimônio e origem geográfica. Entretanto, o partido se parece com os outros em termos de raça e gênero.

DISTRIBUIÇÃO DE CANDIDATOS POR ESTADO
Os candidatos eleitos pelo PSL se concentram nas regiões Sul e Sudeste, com destaque para os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina contrastando com o desempenho fraco de Jair Bolsonaro no Nordeste, única região em que o candidato a presidente pela legenda teve menos votos que Fernando Haddad (PT), se repetiu também na disputa legislativa. Seu partido não conseguiu uma bancada forte por lá.

IDADE
A bancada do partido é, majoritariamente, mais jovem que o restante do Congresso. Enquanto as outras siglas têm a maioria dos parlamentares acima dos 50 anos, o PSL concentra políticos abaixo dos 40.

PATRIMÔNIO
Além de mais jovem, a bancada da legenda de Bolsonaro é também menos rica que o restante do parlamento. O parlamentar mediano do PSL declarou ter bens que somam R$ 700 mil. Nos demais partidos, esse valor é R$ 1 milhão.

Outra diferença é que 43% dos eleitos pelo PSL declararam patrimônio avaliado em mais de R$ 1 milhão, taxa menor que os 50% de milionários registrados nos demais partidos.

PROFISSÃO
Apesar do grande número de militares, essa não é a profissão mais comum entre os congressistas eleitos pela sigla. Na verdade, os empresários são a maioria. Profissionais ligados ao agronegócio também são mais comuns no partido do que no resto do Congresso. Outro fator que chama a atenção é a quantidade de parlamentares do PSL que declaram ser políticos de ofício: é menor que nas demais legendas.

COR, RAÇA E GÊNERO
Entre os 52 deputados e 4 senadores do PSL, 82% são homens e 71%, brancos. Os demais grupos políticos somados terão 84% de homens e 74% de brancos. Ou seja, os bolsonaristas te^m presença levemente maior de negros e de mulheres, se comparados às outras legendas. Neste caso, contudo, a diferença de 2 pontos porcentuais é estatisticamente irrelevante.

Especialistas acreditam que a composição da bancada do PSL não tem necessariamente relação com as propostas de seus eleitos. Joice Hasselmann, deputada federal mais votada nas eleições, por exemplo, não pretende encampar nenhuma pauta feminista.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 13/10/2018
  • Fonte: FERVER