Baixada Santista recebe R$ 7,5 bi para investimentos em água

Com foco na segurança hídrica, a Baixada Santista terá obras estruturantes para acabar com a falta de água na alta temporada e em eventos climáticos

Crédito: Divulgação/Sabesp

A Baixada Santista entrou em uma nova fase de infraestrutura urbana com o anúncio de um pacote histórico de R$ 7,5 bilhões em investimentos. O montante, destinado aos próximos três anos, visa solucionar gargalos históricos no abastecimento que afetam moradores e turistas. O valor impressiona por ser quase três vezes superior à média anual investida entre 2017 e 2024, período em que a região recebia cerca de R$ 400 milhões ao ano.

Este salto financeiro é o primeiro grande impacto após a desestatização da Sabesp, ocorrida em 2024. O objetivo do Governo de São Paulo, por meio da fiscalização da Arsesp, é antecipar a universalização do saneamento básico para 2029, garantindo que o litoral tenha robustez para enfrentar o crescimento populacional e as mudanças climáticas.

O diagnóstico que motivou o aporte na Baixada Santista

Um levantamento técnico detalhado identificou que a Baixada Santista sofria com uma “vulnerabilidade acumulada”. O sistema atual apresentava baixa flexibilidade entre as cidades e reservação insuficiente para os picos de consumo. Em feriados e no verão, a população local chega a triplicar, gerando uma pressão que os ajustes operacionais simples já não conseguiam mais conter.

Além disso, os eventos climáticos extremos tornaram-se um desafio crítico. Chuvas intensas aumentam a turbidez dos mananciais, dificultando o tratamento, enquanto as ondas de calor disparam a demanda. Para resolver isso, o novo plano foca em soluções de engenharia pesada e ampliação da oferta estrutural de água tratada.

Obras estratégicas: A adutora subaquática e novos sistemas

Dentre as intervenções já em curso na Baixada Santista, a mais emblemática é a Adutora Santos–Guarujá. Com um investimento de R$ 134,7 milhões, o projeto utiliza engenharia de ponta para realizar uma travessia subaquática de 700 metros sob o canal do Porto de Santos.

Destaques da Adutora Santos–Guarujá:

  • Extensão total: 5,56 km de tubulações.
  • Capacidade: Adição de 500 litros de água por segundo para o Guarujá.
  • Impacto: Benefício direto para mais de 450 mil pessoas.
  • Prazo: Conclusão prevista para o segundo semestre de 2026.

Estabilidade hídrica com o Sistema Mambu Branco e ETA Melvi

Para mitigar os efeitos das tempestades, está em implantação o chamado “Pulmão de Reservação” do Sistema Mambu Branco. Trata-se de um reservatório com capacidade para 40 milhões de litros, que funcionará como um estoque estratégico para manter o abastecimento estável mesmo quando a captação for prejudicada por chuvas intensas.

Complementando o sistema, a construção da nova Estação de Tratamento de Água (ETA) Melvi elevará a produção em 1.270 litros por segundo. Essa ampliação é considerada a espinha dorsal para que a Baixada Santista suporte o crescimento imobiliário e turístico das próximas décadas sem sofrer com oscilações de pressão ou desabastecimento.

Universalização do saneamento até 2029

A aceleração dos investimentos na Baixada Santista faz parte de um plano estadual maior, que prevê R$ 260 bilhões em aportes até 2060. No curto prazo, até 2029, serão aplicados R$ 70 bilhões em todo o estado. Essa estratégia visa garantir que toda a população paulista tenha acesso a água potável e tratamento de esgoto eficiente, transformando a qualidade de vida e a saúde pública no litoral.

Obras em destaque no plano de 3 anos:

  1. Travessia subaquática para reforçar o Guarujá.
  2. Reservação de 40 milhões de litros no Mambu Branco.
  3. Nova ETA Melvi para ampliar a oferta em toda a região.
  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 06/01/2026
  • Fonte: FERVER