Cidades do ABC travam batalha contra baixa cobertura vacinal

Região intensifica busca ativa, ações nas escolas e uso de tecnologia para reverter resistência a vacinas como Covid-19 e Influenza

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No Dia Nacional da Vacinação, celebrado em 17 de outubro, os sete municípios do Grande ABC reforçam o alerta sobre a importância da imunização para a cobertura vacinal. Em 2025, a região apresenta bons índices nas vacinas infantis, mas enfrenta queda preocupante na cobertura de doses contra Covid-19 e Influenza, que seguem entre as de menor adesão pela população.

O cenário acende o sinal de alerta das secretarias municipais de Saúde, que têm intensificado campanhas educativas, mobilização em escolas e ações de busca ativa. A meta é recuperar a confiança da população e evitar que doenças antes controladas voltem a circular.

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Covid-19 e Influenza mantêm baixa adesão no Grande ABC

Entre as vacinas com menor procura em 2025 estão justamente as que combatem Covid-19 e Influenza. Segundo dados regionais, São Bernardo do Campo lidera a cobertura vacinal contra Covid-19, com 9,4%, seguido por Diadema (8,17%) e Santo André (6,2%). Ribeirão Pires (3,58%) e Rio Grande da Serra (6,1%) registram os índices mais baixos.

Apesar de resultados superiores à média nacional (3,03%) e estadual (4,43%), a região ainda está longe das metas recomendadas pelo Ministério da Saúde. A vacinação contra Influenza, que reduz casos graves e internações respiratórias, também segue abaixo do esperado. Em Santo André, por exemplo, a cobertura é de 43,53%, índice semelhante ao de outros municípios do ABC.

Santo André aposta em tecnologia e busca ativa para elevar cobertura vacinal

Santo André tem se destacado pelo planejamento de estratégias permanentes voltadas à ampliação da cobertura vacinal. A cidade aposta em ações integradas com escolas e agentes comunitários, buscando atingir públicos que mais resistem à imunização.

Durante o período de matrícula escolar, crianças com vacinas atrasadas são encaminhadas às Unidades de Saúde para atualização do cartão vacinal. Além disso, as equipes participam do Programa Saúde na Escola, levando informação e acompanhamento diretamente ao ambiente escolar.

O uso da tecnologia também tem sido um diferencial.

Nossos Agentes Comunitários de Saúde realizam busca ativa com o apoio de tablets, o que facilita a convocação de faltosos e o controle em tempo real das coberturas vacinais”, informou, em nota, a Prefeitura de Santo André.

Segundo a gestão municipal, as ferramentas digitais permitem identificar rapidamente faixas etárias com menor adesão e reforçar as ações em áreas com maior resistência. O acompanhamento é contínuo, com atualização diária dos dados de imunização nas unidades de saúde.

Vacinas infantis seguem com bons índices, mas reforços preocupam

Apesar das dificuldades em relação à Covid-19 e à Influenza, as vacinas infantis mantêm bom desempenho no Grande ABC em 2025. A BCG ultrapassa 90% de cobertura em quase todos os municípios, destaque para Diadema (114,10%), São Bernardo (101%) e Santo André (90,62%).

Baixa cobertura vacinal no Grande ABC alerta cidades em 2025
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Entretanto, os reforços da DTP (que protege contra difteria, tétano e coqueluche) ainda são motivo de atenção. Em Santo André, a cobertura é de 74,17%, abaixo da média estadual (81,71%). O mesmo ocorre em São Bernardo (62,64%) e Rio Grande da Serra (71,55%). Apenas Diadema (94,25%) ultrapassa as metas recomendadas.

Esses números revelam que, embora o público infantil mantenha adesão às vacinas básicas, os reforços, essenciais para garantir imunidade duradoura, ainda carecem de maior engajamento.

Fake news e hesitação vacinal desafiam a saúde pública

A queda na cobertura vacinal também reflete o avanço da desinformação. Para a pediatra Karoliny Veronese, do Grupo Kora Brasil, o principal desafio atual é combater o impacto das fake news, que ganharam força a partir da pandemia de Covid-19. Segundo ela, esse período marcou uma mudança no comportamento da população em relação à imunização, com o surgimento de grupos organizados nas redes sociais e aplicativos de mensagem que espalham desinformação em grande escala.

A disseminação de fake news em relação às vacinas, sem qualquer base científica, é, sem dúvida, o maior desafio”, afirma a médica, explicando que questões ideológicas passaram a interferir em decisões de saúde, algo pouco comum antes da pandemia. “Antes da era da Covid, o Brasil não tinha um movimento antivacina tão expressivo. Com o avanço das notícias falsas, muitas pessoas passaram a rejeitar não apenas a vacina contra a Covid, mas todas as outras”, completa.

De acordo com a especialista, o combate à hesitação vacinal passa necessariamente pela educação e pela informação correta. Ela destaca que médicos, especialmente pediatras, têm papel essencial nesse processo, mas que a conscientização precisa alcançar todas as faixas etárias. “A melhor forma de combater a hesitação vacinal é por meio da educação da população. Existem vacinas para todas as idades, e esse diálogo precisa ser constante, seja nas unidades de saúde, nas escolas ou nas redes sociais”, orienta.

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Para Karoliny Veronese, governos e instituições públicas devem investir em projetos educativos e campanhas de conscientização sobre a importância das vacinas, com base em evidências científicas. “É fundamental mostrar à população as pesquisas que comprovam a segurança e eficácia das vacinas, para que a informação correta prevaleça sobre a desinformação”, reforça.

Ela também ressalta o papel dos profissionais de saúde com presença ativa nas redes sociais, que podem ajudar a reverter a desinformação e reconstruir a confiança nas vacinas. Segundo a pediatra, a educação baseada em ciência é a principal ferramenta para conter o avanço das fake news e fortalecer o compromisso coletivo com a imunização.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 16/10/2025
  • Fonte: Teatro Liberdade