Babá relata suspeitas contra Jairinho no júri do caso Henry
Testemunha afirmou que observou sinais de agressão no Henry Borel e disse ter alertado Monique Medeiros sobre comportamentos considerados suspeitos durante depoimento no sétimo dia de julgamento
- Publicado: 31/05/2026 17:11
- Alterado: 31/05/2026 17:11
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
O julgamento do caso envolvendo a morte de Henry Borel teve continuidade neste domingo (31), no Rio de Janeiro, com o depoimento da babá Thayná de Oliveira Ferreira. A testemunha relatou situações que considerou suspeitas durante o período em que trabalhou com a criança e afirmou ter comunicado as preocupações à mãe do menino, Monique Medeiros.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Henry morreu em março de 2021 no apartamento onde vivia com a mãe e o então vereador Jairo Souza Santos Júnior, na Barra da Tijuca. A acusação sustenta que o ex-parlamentar foi responsável pelas agressões fatais e que Monique teria se omitido diante da violência.
Relatos de dores e mudanças de comportamento
Durante o depoimento, a babá declarou que nunca presenciou agressões diretamente, mas afirmou que Henry costumava apresentar dores, dificuldades para caminhar e outros sinais após permanecer sozinho com Jairinho em um quarto.
Entre os episódios relatados, Thayná mencionou ocasiões em que o menino saiu do cômodo abatido, mancando ou com marcas pelo corpo. Em um dos casos, segundo a testemunha, Henry contou que havia caído da cama após uma situação ocorrida enquanto estava sozinho com o padrasto.
A babá também afirmou que orientou Monique a instalar câmeras de monitoramento no apartamento e buscar acompanhamento psicológico para o filho.
Mensagens e suposta tentativa de apagar provas
Outro ponto abordado no depoimento foi um encontro ocorrido após a morte de Henry. De acordo com Thayná, ela e outra funcionária foram levadas a um escritório de advocacia, onde teria sido solicitado que mensagens fossem apagadas dos celulares.
A testemunha afirmou que registrou capturas de tela das conversas antes de excluir o conteúdo. Segundo seu relato, também houve insistência para que ela concedesse entrevistas em defesa do casal.
Defesa questiona consistência dos relatos
Durante a audiência, a defesa de Monique questionou a testemunha sobre a existência de provas de que ela teria informado de forma categórica à mãe de Henry que a criança sofria maus-tratos. Conforme discutido em plenário, as mensagens apresentadas não continham afirmações diretas nesse sentido.
O julgamento segue com a oitiva das testemunhas restantes. Ao todo, 25 pessoas foram convocadas para depor, embora duas tenham sido dispensadas. O caso já figura entre os julgamentos mais longos da história recente do estado do Rio de Janeiro.
Julgamento continua nos próximos dias
Até o momento, 17 testemunhas foram ouvidas pelo Tribunal do Júri. A expectativa é de que as próximas sessões sejam dedicadas aos depoimentos restantes antes dos debates finais entre acusação e defesa, que antecedem a decisão dos jurados.