Azul reduz voos após alta do combustível e cita impacto no setor
Azul corta 5% da capacidade de voos após alta do querosene de aviação e prevê impacto no mercado aéreo brasileiro
- Publicado: 06/06/2026 17:58
- Alterado: 06/06/2026 17:58
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FolhaPress
A companhia aérea Azul reduziu cerca de 5% de sua capacidade operacional em meio ao aumento do preço do QAV (querosene de aviação), principal combustível utilizado no setor aéreo. A informação foi confirmada pelo CEO da empresa, John Rodgerson, que afirmou que os cortes atingem voos nacionais, internacionais e rotas regionais.
Segundo o executivo, a medida já impacta milhões de passageiros ao longo do ano e reflete um cenário de custos elevados enfrentado pelas companhias aéreas.
“Até agora nós cortamos mais ou menos 5% da nossa capacidade. E, se você pega uma empresa do nosso tamanho, isso vai refletir em milhões de passageiros ao longo de um ano. A gente espera que esta guerra se resolva logo”, afirmou Rodgerson.
Azul reduz frequências e ajusta malha aérea
De acordo com o CEO, a estratégia da Azul envolve tanto a diminuição de frequências quanto o ajuste da malha aérea.
“É internacional, regional e para cidades grandes também. Curitiba-São Paulo não tem o mesmo número de frequências que tinha antes. Tem que cortar geral”, disse.
Rodgerson afirmou ainda que nenhuma empresa aérea consegue absorver integralmente o aumento dos custos sem impactos financeiros.
“Acho que nenhuma empresa aérea do mundo tem capacidade para repassar tudo isso para o cliente. Todo mundo vai ficar um pouco menos rentável neste ano por causa da guerra”, acrescentou.
Aviação regional pode sentir mais impacto
Apesar de os cortes atingirem diferentes tipos de operação, o executivo avalia que, no longo prazo, a aviação regional pode ser uma das áreas mais afetadas pelo encarecimento do combustível.
“Eu acho que é possível, porque o combustível nessas regiões mais remotas é mais caro”, afirmou.
Segundo projeção apresentada pelo vice-presidente da Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos) para as Américas, Peter Cerdá, o mercado doméstico brasileiro pode registrar queda no fluxo de passageiros por causa da alta das passagens.
A estimativa é que o número de passageiros em voos domésticos fique abaixo de 90 milhões ao ano, após o recorde de mais de 100 milhões de viajantes em 2025.
CEO descarta nova recuperação judicial da Azul
Mesmo diante do cenário desafiador, John Rodgerson descartou um novo processo semelhante ao Chapter 11, mecanismo equivalente à recuperação judicial nos Estados Unidos.
Segundo ele, a companhia saiu do processo, encerrado em fevereiro, em situação financeira mais confortável.
“Nós saímos do Chapter 11 em fevereiro com alavancagem muito menor do que as outras [companhias aéreas brasileiras] quando elas saíram. A gente está confortável onde nós estamos”, afirmou.
Para o executivo, o maior risco é a desaceleração do crescimento do setor.
“O que eu acho que nós podemos perder é uma oportunidade de ver o mercado crescer”, disse.
Escala 6×1 também preocupa setor aéreo
Outro tema em discussão entre a Azul e o governo federal é a proposta de mudanças na escala 6×1, especialmente no caso dos aeronautas, categoria que inclui pilotos e comissários de bordo.
Segundo Rodgerson, a empresa acompanha o tema em reuniões com o governo.
“Nós tivemos algumas reuniões com o governo, eles acham que não deve ter um grande impacto nos aeronautas, mas eu acho que nós temos que ver. Acho que só com o tempo nós vamos ver isso”, afirmou.
O tema também tem gerado debate no setor, enquanto sindicatos defendem a redução da jornada de trabalho e companhias aéreas apontam possíveis impactos operacionais.