Aumento nos preços do chocolate impacta vendas de páscoa no Brasil

Consumidores hesitam em comprar ovos de Páscoa em meio à inflação e desvalorização do real

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O preço do chocolate deve sofrer um aumento médio de 18,9% neste ano, o que representa o maior reajuste em 13 anos. Essa elevação é atribuída à valorização do cacau no mercado internacional e à desvalorização do real em relação ao dólar, que passou de R$ 5 para R$ 5,80 em apenas um ano.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou uma estimativa nesta segunda-feira (14), indicando que as vendas para a Páscoa deverão alcançar R$ 3,36 bilhões. Entretanto, esse montante representa uma queda de 1,4% em comparação ao ano anterior, considerando a inflação.

Com o aumento significativo nos preços dos produtos típicos da celebração, como os chocolates, a quantidade de brasileiros que planejam adquirir ovos de Páscoa este ano deve ser reduzida. Essa tendência interrompe uma sequência de crescimento nas vendas que se estendia desde 2021.

A CNC observa que a cesta de bens e serviços relacionados à Páscoa, que inclui oito itens diferentes, deverá apresentar um aumento médio de 7,4% nos preços. Além do chocolate, outros produtos tradicionais como bacalhau e azeite de oliva também devem sofrer reajustes significativos de 9,6% e 9,0%, respectivamente.

Em uma análise sobre o comportamento do consumidor neste período festivo, a CNC afirma que mesmo com a dinâmica positiva do mercado de trabalho no Brasil, os altos preços podem limitar a disposição dos consumidores em gastar. Assim, a expectativa para a Páscoa de 2025 é que o cenário de consumo continue cauteloso, embora as tradições emocionais da data ainda mantenham sua relevância no calendário do varejo nacional.

José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, ressaltou que a atual situação econômica brasileira é marcada por pressões inflacionárias oriundas do mercado internacional e pela instabilidade cambial. Isso impacta diretamente o varejo e provoca uma desaceleração no consumo durante datas significativas como a Páscoa. Tais condições exigem que o setor reavalie suas estratégias e planos em diferentes horizontes temporais.

Além disso, segundo o economista da CNC, Fabio Bentes, outro indicativo do desaquecimento nas vendas nesta Páscoa é a redução nas importações. Dados da Secretaria de Comércio Exterior revelam que em março houve uma queda de 17,6% na entrada de chocolates importados e uma retração de 11,7% no volume de bacalhau.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 14/04/2025
  • Fonte: FERVER