Fim de ano: cuidados com o aumento de circulação de pessoas
Mais veículos, pedestres, ciclistas e caminhões nas vias elevam riscos e exigem atenção redobrada para evitar acidentes no período de festas
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 19/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O período de festas de fim de ano provoca um aumento expressivo na circulação de veículos e pedestres, tanto nos centros urbanos quanto nas rodovias.
Recebimentos do décimo terceiro, compras de Natal, encontros familiares e viagens geram um fluxo mais intenso que pressiona a capacidade das vias e cria condições propícias à ocorrência de acidentes.
Esse aumento de tráfego e pedestres é frequentemente acompanhado por pressa, fadiga e distrações, ampliando as chances de sinistros. Além disso, comportamentos imprudentes, como o desrespeito à sinalização, o excesso de velocidade ou o uso do celular ao volante, surgem como fatores agravantes em um cenário já complexo.
Em áreas urbanas, pedestres e ciclistas, especialmente em cruzamentos, calçadas estreitas e regiões comerciais, tornam-se ainda mais vulneráveis e expostos nesse período.
Vulnerabilidade no Trânsito: pedestres, ciclistas e motociclistas

O ambiente viário durante o fim de ano exige atenção redobrada aos modos vulneráveis. Pedestres circulam em maior número, muitas vezes carregando sacolas, desviando de obstáculos ou atravessando vias fora das faixas.
Ciclistas se incorporam às rotas urbanas ou rodovias, aproveitando deslocamentos curtos ou não. Realizam entregas ou praticam ciclismo, enquanto motociclistas vivem um dos períodos de maior demanda, especialmente com o crescimento do comércio eletrônico e das entregas rápidas.
Esses grupos concentram parte expressiva das vítimas em acidentes de trânsito, já que dispõem de menor proteção física. Um simples choque para um automóvel pode se transformar em uma lesão grave para um ciclista ou pedestres. Por isso, a empatia, a ultrapassagem segura, o respeito às faixas de pedestres, as exclusivas e a redução de velocidade são condutas fundamentais para preservar vidas.
Caminhões mais pesados e a necessidade de distância segura nas estradas
Nas rodovias, a presença e o porte dos veículos pesados elevam o grau de risco. O transporte rodoviário passou por mudanças consideráveis nos últimos anos, permitindo que caminhões evoluíssem de configurações de até 45 toneladas para modelos que chegam a 74 toneladas, especialmente os chamados bitrens.
Essa capacidade ampliada colabora com ganhos logísticos e redução de custos no transporte de cargas, mas traz implicações diretas para a segurança viária: tempo de frenagem maior, maior distância para manobras e maior impacto em casos de colisão. Por essa razão, importante que os motoristas e motociclistas mantenham sempre distância adequada desses veículos, assim como evitar trafegar em pontos cegos, especialmente laterais e traseiras, e programar ultrapassagens apenas em trechos autorizados e com plena visibilidade. Um erro de cálculo, diante de um veículo com tamanha massa, pode transformar simples imprudências em acidentes com consequências irreversíveis.
Sempre mantenha distância dos veículos pesados, ou os ultrapasse ou deixe os ultrapassarem, mas não circulem com eles.
Manutenção preventiva: um pilar para viagens seguras

Outro fator decisivo para reduzir riscos no fim de ano é a manutenção preventiva dos veículos antes de pegar a estrada. Com o aumento do tráfego, quebras mecânicas deixam de ser apenas inconvenientes e passam a representar risco coletivo, provocando paradas inesperadas, colisões secundárias e bloqueios que comprometem a segurança.
Pneus desgastados, pastilhas de freios desgastados, falhas de iluminação ou problemas no sistema de arrefecimento são causas recorrentes de acidentes, especialmente em trechos de longa distância e sob altas temperaturas.
Realizar verificações prévias, incluindo checagem de fluídos, calibragem dos pneus, análise de bateria e funcionamento dos itens obrigatórios, mitiga falhas durante o deslocamento e reduz a probabilidade de acidentes correlacionados.
A preparação adequada do veículo atua como uma medida de autoproteção e como um ato de responsabilidade coletiva, visto que contribui para um fluxo mais seguro em vias já naturalmente congestionadas.
Responsabilidade compartilhada para um trânsito mais seguro
Diante desse cenário, fica evidente que a segurança no trânsito durante o período de fim de ano depende de ações individuais e coletivas. O aumento do fluxo de veículos e pessoas, a presença de caminhões com maior capacidade de carga e o papel crucial da manutenção preventiva tornam a prudência um elemento indispensável para preservar vidas.
Respeitar as leis, reforçar a atenção aos modos vulneráveis, adotar distâncias seguras de veículos pesados e preparar o automóvel antes de viajar não são apenas boas práticas, mas sim atitudes essenciais para transformar o deslocamento em uma experiência segura.
Que as festividades sejam marcadas por encontros e celebrações, e não por tragédias evitáveis. A responsabilidade no trânsito é de todos, e o compromisso com a segurança deve ser permanente, sobretudo quando as vias estão mais cheias e cada decisão pode fazer a diferença.
Luiz Vicente Figueira de Mello Filho

Especialista em mobilidade urbana e agente de transformação nesse setor. Atualmente, é colunista de mobilidade do portal ABCdoABC. Atua como pesquisador no Programa de Pós-Doutorado em Engenharia de Transportes e é professor credenciado na Faculdade de Tecnologia da Unicamp. Possui doutorado em Engenharia Elétrica pelo Departamento de Comunicação da FEEC/Unicamp (2020), mestrado em Engenharia Automotiva pela Escola Politécnica da USP (2009) e pós-graduação em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero (2005). Formado em Administração de Empresas (2002) e Engenharia Mecânica (1999) pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.