Aumento de carros roubados no Rio: Milícias lucram com resgates de veículos

Nos primeiros dois meses de 2025, o estado registrou 8.180 ocorrências de roubo e furto de veículos

Crédito: Reprodução - TV Globo

A crescente incidência de carros roubados recuperados no Rio de Janeiro tem gerado preocupações significativas entre as autoridades locais. A suspeita é de que organizações envolvidas com o tráfico de drogas estejam por trás desse fenômeno, utilizando os roubos como um meio para lucrar com a venda dos veículos às seguradoras.

Nos primeiros dois meses de 2025, o estado registrou 8.180 ocorrências de roubo e furto de veículos, o que representa um aumento de 20% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 6.794 casos. Essa escalada nas estatísticas de criminalidade não reflete apenas uma falha na segurança pública, mas indica uma nova dinâmica criminosa que se estabelece na região.

Além disso, o índice de recuperação de automóveis ultrapassou as expectativas normais, com uma média diária de 63 veículos recuperados, totalizando 3.779 nos primeiros meses deste ano. Esse número é 42% superior ao registrado no mesmo período em 2024, levantando questões sobre a natureza dessa recuperação.

A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro aponta que esse aumento na recuperação não é apenas resultado da atuação eficaz das forças policiais, mas também revela a operação de milícias que estão se infiltrando nesse mercado ilícito. Essas organizações estariam cobrando taxas para devolver os veículos roubados aos seus proprietários.

O secretário da Segurança do Rio, Victor Santos, comentou sobre a evolução do modus operandi dos criminosos: “Os bandidos perceberam que essa prática poderia se tornar uma nova fonte de receita”. O fenômeno levou o Ministério Público a denunciar grupos criminosos envolvidos na prática de roubo e subsequente exigência de ‘resgates’ em troca da devolução dos automóveis, frequentemente negociados por cerca de 10% do valor correspondente na tabela Fipe.

De acordo com informações apuradas, o esquema funciona da seguinte maneira: as facções fornecem armas para a execução dos roubos e ficam com a maior parte dos lucros obtidos nas transações. A parte restante é dividida entre os ladrões. Em resposta a essa situação alarmante, a polícia está intensificando investigações sobre as empresas que podem estar colaborando nesses processos.

O secretário enfatizou ainda os riscos associados a esse cenário: “Esse tipo de operação alimenta um mercado criminoso, especialmente no que diz respeito ao aumento dos roubos de veículos. É preciso lembrar que fomentar tais atividades pode transformar esses crimes em situações ainda mais graves, como latrocínios”.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 18/04/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo