Aumento da Selic e seus impactos na economia brasileira
Empresariado vê encarecimento do crédito e defende alternativas à política monetária para conter a inflação
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 07/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
O recente aumento de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, fixada agora em 14,75% ao ano, gerou preocupações significativas entre os setores produtivos do Brasil. Essa elevação, decidida de forma unânime pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na noite de quarta-feira (7), é a mais alta registrada em quase duas décadas, remontando a julho de 2006.
Entidades representativas do empresariado destacam que tal medida poderá se tornar um obstáculo para investimentos em diversos segmentos, encarecendo o crédito para consumidores e resultando na redução do consumo geral.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) manifestou sua preocupação, afirmando que o aumento da taxa Selic não apenas restringe investimentos, mas também diminui a competitividade das empresas brasileiras e eleva os custos de produção. Esse cenário, segundo a entidade, pode levar a uma desaceleração econômica acentuada.
A FiEMG reconhece que a alta dos juros visa controlar a inflação em um contexto macroeconômico internacional volátil, exacerbado por conflitos comerciais que têm impactado as projeções de crescimento global e causado efeitos deflacionários no Brasil, especialmente com a diminuição nos preços das commodities.
Flávio Roscoe, presidente da FiEMG, observa que esse ambiente econômico já fragilizado tende a se agravar com a elevação da Selic, gerando repercussões negativas na criação de empregos e na renda familiar.
De forma semelhante, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) expressa que é fundamental interromper o ciclo de aumentos da Selic para assegurar o crescimento econômico. A entidade alerta para o efeito cascata que a elevação dos juros provoca: encarecimento do crédito e desestímulo ao consumo, o que resulta em menor competitividade para o setor produtivo e potencial fechamento de empresas.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) amplia essa análise ao caracterizar as políticas monetárias atuais como desatualizadas. Segundo a CNI, os efeitos da elevação da Selic iniciada em setembro de 2024 só deverão ser plenamente sentidos no segundo semestre deste ano. Além disso, as novas tarifas de importação aumentam os riscos de recessão nos Estados Unidos e pressionam o dólar no mercado internacional.
A CNI também destaca que fatores como o aumento da oferta de petróleo pela Opep+ resultaram em uma significativa queda no preço do barril de petróleo globalmente. Isso já se refletiu em uma diminuição nos preços do diesel nas refinarias da Petrobras, o que promete impactar positivamente os custos de transporte e ajudar no controle da inflação.
Adicionalmente, a CNI observa que o aumento da Selic acarreta um crescimento nos custos da dívida pública brasileira e exacerba o déficit fiscal. Como alternativa ao controle inflacionário além da simples elevação da taxa básica de juros, a CNI propõe um controle mais rigoroso dos gastos públicos – uma estratégia já apoiada pela Abrainc.
“A política monetária deve ser complementada por uma abordagem fiscal mais racional. Para isso, é essencial conter a pressão por aumentos nos gastos públicos através de um pacto nacional visando ao equilíbrio fiscal. O Banco Central poderia considerar um aumento nos depósitos compulsórios como uma medida adicional”, conclui a CNI.