Augusto Melo, presidente afastado do Corinthians, torna-se réu no Caso VaideBet
Justiça acatou a denúncia oferecida pelo MPSP; em nota Augusto Melo se defende
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 23/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Na última terça-feira, dia 22 de agosto, a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público, resultando na inclusão de Augusto Melo, presidente afastado do Sport Club Corinthians Paulista, como réu no processo conhecido como “Caso VaideBet”.
Além de Melo, outros três indivíduos foram implicados: os ex-diretores Marcelo Mariano, conhecido como Marcelinho, e Sérgio Moura, assim como o empresário Alex Cassundé. A denúncia envolve acusações sérias e solicita ao clube uma indenização que totaliza R$ 40 milhões.
Os promotores requisitam ainda o bloqueio de bens dos acusados. Segundo informações veiculadas pelo ge e confirmadas pela CNN, um trecho da denúncia destaca que “requer-se que os denunciados sejam condenados ao pagamento a título de indenização à agremiação vítima no valor mínimo de R$ 40.000.000,00 (quarenta milhões de reais), nos termos do art. 387, inciso IV, do CPP”.
O cálculo que chegou ao valor de R$ 40 milhões considera R$ 1,4 milhão que a empresa Rede Social Media Design teria recebido em suposta intermediação e R$ 38,8 milhões referentes à rescisão contratual com a PixBet, antiga patrocinadora do clube.
A investigação da Polícia Civil resultou no indiciamento de Augusto Melo após a conclusão do inquérito relacionado ao caso. As acusações contra ele incluem associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro. Os ex-dirigentes Marcelo Mariano e Sérgio Moura também enfrentam suspeitas semelhantes junto ao empresário Alex Fernando André, conhecido como Cassundé.
De acordo com as apurações, Augusto Melo teria acumulado “dívidas” decorrentes de campanhas eleitorais para a presidência do Corinthians, envolvendo doações de empresários relacionados a jogadores e influenciadores, além da participação de um agiota.
Augusto Melo permanece oficialmente afastado da presidência do Corinthians. Em uma votação realizada no final de maio deste ano no Parque São Jorge, os conselheiros do clube decidiram pela abertura de um processo de impeachment contra ele. O resultado da votação foi contundente: 176 conselheiros apoiaram o afastamento, enquanto apenas 57 se opuseram. Um voto foi nulo e houve ainda duas abstenções.
O Corinthians já estabeleceu uma data para que os sócios decidam sobre a destituição ou não de Augusto Melo do cargo. A assembleia geral dos associados ocorrerá no dia 9 de agosto, entre 9h e 17h, nas dependências do Parque São Jorge.
Nota da defesa do presidente do Corinthians, Augusto Melo
Em nota, o presidente do Corinthians, Augusto Melo, afirmou que todas as acusações contra ele são falsas. Segundo o documento, Augusto Melo se considera “vítima de um processo ilegal e repleto de nulidades e abusos, como o acesso a dados do Coaf sem autorização judicial e a participação da Policia Civil e do Ministério Público de São Paulo em um caso de competência da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, uma vez que envolve um contrato internacional”.
O documento de defesa também afirma que “o recebimento da denúncia pela Justiça é uma etapa formal do processo, que não altera em nada o curso da ação. A defesa vai impetrar os habeas corpus necessários com o objetivo de fulminar esse processo kafkiano e ilegal”.
No esclarecimento, o presidente Augusto Melo também afirma que “nada deve e nada teme”, por isso já solicitou o fim do sigilo que impede o acesso da torcida corinthiana à íntegra dos documentos da ação. A defesa também solicitou que as autoridades competentes, a PF e o MPF, cuidem do caso. “Está em curso ainda uma investigação defensiva, conforme regulamentado pela OAB, que comprovará a inocência do presidente legitimamente eleito do Corinthians”, cita a nota oficial.
“Augusto Melo segue confiante de que a verdade prevalecerá e reitera seu compromisso com a retomada da organização financeira do clube, que sofreu grande retrocesso desde que ele foi retirado do cargo por seus adversários políticos, que hoje conduzem uma gestão conhecida pelo não pagamento de obrigações e depreciação do clube dentro e fora de campo”.