Audiência que pode mudar destino dos irmãos Menendez é adiada para maio

Lyle e Erik tinham, respectivamente, 21 e 18 anos quando mataram os pais a tiros na mansão da família em Beverly Hills.

Crédito: Divulgação

A Justiça de Los Angeles decidiu adiar mais uma vez a audiência que pode reavaliar a sentença dos irmãos Lyle e Erik Menendez, condenados à prisão perpétua sem direito à liberdade condicional pelo assassinato de seus pais em 1989.

O julgamento, inicialmente marcado para esta quinta-feira (17), foi remarcado para o dia 9 de maio. A justificativa do juiz Michael Jesic foi a necessidade de mais tempo para analisar um relatório solicitado pelo governador Gavin Newsom, que avalia se os condenados ainda representam ameaça à sociedade.

O documento, considerado essencial para o andamento do processo, só foi disponibilizado esta semana. A defesa aposta nesse material como um passo importante rumo à reavaliação da pena dos irmãos, cujos argumentos de que sofreram anos de abusos físicos, sexuais e emocionais voltaram a ganhar atenção pública com produções recentes sobre o caso.

Nova visão sobre abusos pode influenciar decisão

Lyle e Erik tinham, respectivamente, 21 e 18 anos quando mataram os pais a tiros na mansão da família em Beverly Hills. O caso chocou os Estados Unidos, não apenas pela brutalidade do crime, mas também pela posição de destaque do pai, José Menendez, executivo da indústria musical com histórico de imigração após fugir da Revolução Cubana.

Ao longo do processo, os irmãos alegaram ter agido por medo, após anos de abusos dentro de casa — uma narrativa que recebeu nova luz em 2024, com o lançamento de uma série e um documentário na Netflix. A repercussão reacendeu o debate sobre a gravidade dos traumas sofridos por vítimas de abuso e sua influência em crimes cometidos posteriormente.

Em 2023 e 2024, novos elementos reforçaram a versão dos irmãos. Um exemplo foi a divulgação de uma carta escrita por Erik a um primo, onde detalha os abusos sofridos. Além disso, Roy Rosselló, ex-integrante do grupo Menudo, declarou publicamente ter sido violentado por José Menendez quando adolescente, oferecendo apoio à libertação dos réus.

Mudança no Ministério Público complica cenário

O promotor George Gascón, que anteriormente atuava no caso, havia se posicionado favoravelmente à revisão da pena dos Menendez, citando bom comportamento na prisão, surgimento de novas provas e mudanças sociais no entendimento sobre os efeitos dos abusos infantis. Com isso, aumentaram as expectativas de que os irmãos poderiam ser considerados aptos à liberdade condicional.

No entanto, o novo promotor, Nathan J. Hochman, eleito com um discurso mais rigoroso em relação à criminalidade, tem se mostrado contrário à soltura. O adiamento da audiência é visto como uma vitória estratégica para Hochman, que havia solicitado mais tempo para análise do relatório de risco à sociedade.

Além da reavaliação da sentença, a defesa dos Menendez ainda atua em duas frentes paralelas: um pedido de habeas corpus e um apelo de clemência apresentado ao governador da Califórnia. A expectativa é que o novo julgamento, em maio, possa representar um ponto de virada em um dos casos criminais mais emblemáticos da história americana recente.

  • Publicado: 26/01/2026
  • Alterado: 26/01/2026
  • Autor: 17/04/2025
  • Fonte: Maria Clara e JP