Atropelando emoções

Algumas emoções batem à porta; outras são empurradas para longe antes que consigam entrar

Crédito: (Divulgação)

Eu atropelo emoções. Não as dos outros, mas as minhas. Como um rolo compressor, vou destruindo as irregularidades do caminho para deixar o chão perfeito para a passagem dos dias.

Me toquei disso esses dias, quando minha astróloga do jornal disse que eu as ignoro e isso pode não ser bom. Aí parei para pensar. Não estava em um bom dia quando li isso, as emoções se rebelando naquela manhã, e então tudo ficou claro para mim.

É verdade. É um tipo de defesa que eu criei para não sofrer muito, para ser forte. Uma estratégia não planejada, mas que está dando bom resultado de certa forma.

Funciona assim: quando a emoção vem, normalmente uma das ligadas a sentimentos tristes, eu olho para ela alguns minutos, e antes que ela me agarre, bem depressa subo no rolo compressor e passo por cima, coloco o pensamento em outro lugar, me convenço de que tudo vai dar certo e começo a andar, pensar em outra coisa, fazer o que tem de ser feito. Enfim, esquecer para não paralisar.

O segredo está no pensamento, na sobreposição rápida de ideias e em não parar para pensar. Se cair uma lágrima ou duas, chora e enxuga. E pronto, já passou.

Emoções
(Imagem/Magnific)

Tento não deixar que as emoções dominem meu cérebro por um tempo maior do que cinco minutos. Quem recebe esse tratamento tão pouco amigável de mim? As emoções de medo, de raiva, de decepção, de ciúme, de insegurança, de saudade.

No dia a dia elas vêm, são coisa normal da gente. Mas eu sou bastante apegada a uma filosofia positivista, voltada para o empenho em combater os pensamentos negativos, porque tenho a certeza de que eles atrapalham muito a vida, tendem a deixar tudo cinza, sem graça, no mínimo.

Além disso, quero mais do que parecer forte. Eu quero ser forte. E para isso, penso, é bom não se deixar abater por nada nem ninguém.

Tá, talvez eu esteja exagerando na marra. Podemos nos dar o direito de sofrer um tiquinho. Pode fazer bem para o coração.

Agora vou ouvi-las, respeitá-las, senti-las, saboreá-las como parte do aspecto humano. A capacidade de aceitá-las sem se deixar puxar por elas, sem se contaminar pela sua natureza gelada, pode ser um superpoder. Desde que a gente não se transforme em um “Iceman”, distribuindo gelo vida afora.

Equilíbrio é uma palavra coringa. Cabe aqui nesse caso também.

Paola Zanei

Paola Zanei - Crônicas
(Divulgação)

Paola Zanei é escritora, poeta e jornalista, formada em Comunicação desde 1994. Com mais de 30 anos de atuação no jornalismo, construiu grande parte de sua trajetória como assessora de imprensa. A escrita, no entanto, sempre esteve presente em sua vida. Desde os 15 anos, dedica-se à produção de poemas e crônicas que exploram o cotidiano, experiências pessoais e as emoções que atravessam sua jornada. É autora do livro Poemas para Queimar Certezas. Apaixonada por música, literatura e cinema, Paola traduz em palavras sua forma sensível de observar e interpretar o mundo.

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  • Publicado: 01/06/2026 15:46
  • Alterado: 01/06/2026 15:46
  • Autor: Paola Zanei
  • Fonte: ABCdoABC

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