Ato pró-Bolsonaro na Avenida Paulista conta com pedidos de anistia e presença de governadores

Evento teve participação do ex-presidente Jair Bolsonaro, autoridades políticas e apelo por libertação de presos dos atos de 8 de janeiro

Crédito: Fabiano Rocha/BG

Neste domingo (6), apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, em um ato que clamou pela anistia dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. A manifestação teve início por volta das 14h, com execução do Hino Nacional e uma oração, e contou com forte presença de políticos aliados de Bolsonaro, incluindo sete governadores.

Bolsonaro sobe ao trio elétrico com Michelle e lideranças políticas

Bolsonaro chegou ao local às 13h45, acompanhado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, e foi recebido com gritos de apoio. Ele subiu ao trio elétrico principal ao lado do pastor Silas Malafaia, um dos organizadores do ato. A mobilização também teve a presença de figuras como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que foi anunciado com destaque e chegou a ser comparado com apóstolos por apoiadores.

Outros nomes do cenário político que estiveram presentes incluem os governadores Romeu Zema (Novo–MG), Ratinho Jr. (PSD–PR), Ronaldo Caiado (União–GO), Jorginho Mello (PL–SC), Mauro Mendes (União Brasil–MT) e Wilson Lima (União–AM). A foto do encontro entre Bolsonaro e os sete governadores foi divulgada horas antes do início do ato. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), teve presença anunciada, mas não compareceu.

Entre os parlamentares presentes estavam os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), Gustavo Gayer (PL-GO), Mario Frias (PL-SP), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o senador Marcos Pontes (PL-SP). A deputada Priscila Costa (PL-CE) foi encarregada de abrir os discursos com uma oração.

Batom gigante, tumulto e discurso por anistia

Um dos símbolos da manifestação foi um batom inflável de seis metros, posicionado próximo ao trio elétrico. A peça faz referência à cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, condenada a 14 anos de prisão por usar batom para pichar uma estátua em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), episódio frequentemente lembrado por bolsonaristas.

O clima, no entanto, não foi de total tranquilidade. Houve tumulto nas proximidades do trio reservado a Bolsonaro, com apoiadores tentando ultrapassar as grades que separavam o público das autoridades. Para conter o avanço da multidão e enfrentar a possibilidade de chuvas, os organizadores instalaram tendas para proteger as autoridades e limitaram os discursos a no máximo três minutos.

Padre Kelmon, que foi candidato à presidência em 2022, também esteve presente. Ele declarou apoio à anistia e revelou que Bolsonaro pediu que concorresse ao cargo de deputado estadual por São Paulo em 2026.

Pesquisa mostra maioria contra anistia

Apesar da pressão exercida no ato, uma pesquisa divulgada neste domingo pela Genial/Quaest mostra que 56% da população brasileira é contra a concessão de anistia aos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro. Apenas 34% são favoráveis à libertação. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 27 e 31 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Além disso, 49% dos entrevistados acreditam que Jair Bolsonaro participou diretamente do planejamento de uma tentativa de golpe, enquanto 35% não concordam com essa avaliação.

“Só a mobilização fará todos saírem”

Entre os presentes no ato estava Luiza Cunha, filha de Cleriston da Cunha, conhecido como Clezão, preso após os atos do 8 de janeiro e que morreu na prisão em 2023. Usando uma camisa com homenagem ao pai, Luiza afirmou que a manifestação é fundamental para pressionar pela libertação de outros detidos. “Infelizmente isso não vai trazer meu pai de volta, mas ajudará outras pessoas”, declarou.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 06/04/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo