Ato pelo ‘Fora Temer’ em São Paulo, Rio e Brasília

Em São Paulo, ato se concentra na Av. Paulista; no Rio protesto 'Fora Temer' fecha a Avenida Atlântica e, em Brasília manifestantes ameaçam invadir prédio do senador Cristovam Buarque

Crédito: Paulo Pinto/Agencia PT

Manifestantes ocupam a Avenida Paulista na tarde deste domingo, 4, para protestar contra o governo Michel Temer. A manifestação começou por volta das 15h30.

“O governo golpista de Michel Temer falou em cerca de 40 pessoas neste protesto. Somos 100 mil pessoas”, disse Guilherme Boulos, da coordenação nacional do MTST, um dos organizadores do ato, em discurso por volta das 17h. A PM ainda não estimou o número de presentes.

Aos gritos de “Fora, Temer”, e “Golpistas, não passarão”, os manifestantes se preparam para percorrer a via em direção à rua da Consolação, e depois descer a Avenida Rebouças até o Largo da Batata. Os organizadores do ato, as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, orientaram as pessoas a “não reagirem a provocações”. “Já vamos sair desse ato com um novo protesto marcado”, disse Boulos. “Quem acha que acabou não entende nada da história de resistência democrática deste país.”

O protesto começou pacífico, com muitas famílias presentes no local. A musicista Nina Blauth, de 53 anos, trouxe o filho Matias, de 5, para acompanhar o ato. “No dia em que houve o golpe, ele me viu triste e disse: ‘não fica assim, mãe, a gente pode se manifestar e pedir pra mudar”, ela disse. “Esse é o momento de mostrar para ele que vivemos numa democracia e podemos sim lugar pelo que acreditamos em paz.”

PROTESTO ‘FORA TEMER’ FECHA A AVENIDA ATLÂNTICA, NO RIO
Cerca de 5 mil manifestantes contrários ao impeachment de Dilma Rousseff protestam na Avenida Atlântica, em Copacabana. O ato pacífico começou bem em frente ao hotel Copacabana Palace e segue para o Leme. Aos gritos de “Fora Temer”, muitos ostentam cartazes acusando “golpe” no processo que causou a deposição de Dilma. Cabos eleitorais de candidatos de partidos de esquerda à prefeitura do Rio engrossam o grupo.

A manifestação estava restrita ao pátio localizado em frente ao hotel, mas às 12h25 o grupo tomou a única faixa da avenida aberta à circulação de veículos – meia pista da Atlântica é fechada aos domingos.

O número de manifestantes, que começou em cerca de 700 por volta das 12h, subiu rapidamente e há pelo menos 5 mil pessoas protestando na Avenida Atlântica. Aos gritos de “Temer golpista” e “Diretas já”, os manifestantes caminham em direção ao bairro de Botafogo. Há bandeiras e faixas de movimentos sociais e diversos grupos políticos.

A deputada federal e candidata a prefeita do Rio pelo PCdoB, Jandira Feghali, juntou-se à manifestação em Copacabana às 13h. Segundo ela, esse tipo de protesto irá se espalhar pelo País. “Só vai aumentar. A sociedade entendeu que foi golpe e a sociedade não vai se acomodar, principalmente pela agenda que virá”, disse a candidata.

Os grupos contrários ao processo de impeachment de Dilma Rousseff também marcaram um ato na Av. Paulista, em São Paulo, neste domingo, previsto para começar as 16h30. A manifestação foi inicialmente proibida pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, pois o local também receberá a passagem da tocha paralímpica neste domingo, só que mais cedo. Após uma negociação com as autoridades, os grupos acabaram mantendo o protesto, só que para depois da passagem da tocha no local, prevista para ocorrer às 13h20.

Desde que o Senado aprovou o afastamento de Dilma, várias capitais no País têm sido palco de protestos contra o presidente Michel Temer (PMDB). Na capital paulista, por exemplo, ocorreram atos todos os dias da semana passada, com alguns grupos minoritários depredando patrimônio e entrando em confronto com a PM. Em meio à confusão, uma jovem estudante que protestava ficou sem a visão no olho esquerdo após ser atingida por estilhaços de uma bomba da PM.

MANIFESTANTES AMEAÇAM INVADIR PRÉDIO DO SENADOR CRISTOVAM BUARQUE, EM BRASÍLIA
Um grupo de manifestantes pró-Dilma Rousseff protestou na manhã deste domingo, 4, na quadra onde mora o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), em Brasília. Segundo a assessoria do senador, os manifestantes ameaçam invadir o prédio da residência de Cristovam. Eles reclamaram contra o parlamentar porque ele votou a favor do impeachment de Dilma, decidido pelo plenário do Senado no dia 31 de agosto, por 61 votos a 20.

Apesar das ameaças, não houve invasão e o protesto já terminou. Segundo a assessoria de Cristovam, os manifestantes prometeram voltar outras vezes.

O senador, que foi ministro da Educação no Governo Lula e foi demitido, desde então rompeu com a gestão petista. Na última quinta-feira, Cristovam também foi agredido verbalmente por manifestantes enquanto presidia audiência pública da Comissão de Educação do Senado sobre a proposta conhecida como “Escola Sem Partido”. A sessão contava com a presença de convidados de movimentos sociais organizados. Sob gritos de “golpista” e “traidor”, Cristovam desistiu de presidir a reunião e acabou encerrando a sessão.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 04/09/2016
  • Fonte: FERVER