Durante ato a Herzog, Chefe do STM pede perdão por crimes da ditadura

Em ato pelos 50 anos da morte de Vladimir Herzog, presidente da Justiça Militar pede perdão ao Brasil.

Crédito: Reprodução/Youtube

Durante ato a Herzog, em um gesto de significado histórico, a presidente do Supremo Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha, pediu desculpas públicas pelos “erros e omissões” cometidos pela corte durante o período da ditadura militar no Brasil. A declaração ocorreu na noite deste sábado (25/10), durante o ato ecumênico que marcou os 50 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog, realizado na Catedral da Sé, em São Paulo.

Estou aqui neste ato de 2025 para, na condição de presidente da Justiça Militar da União, pedir perdão a todos aqueles que tombaram e que lutaram pela liberdade do Brasil”, afirmou Rocha, sob aplausos dos presentes.

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Um pedido de perdão à história

Durante seu discurso, a magistrada fez menção direta a diversas vítimas da repressão estatal, incluindo o ex-ministro José Dirceu (PT), que estava no evento.

“A minha súplica é a Vladimir Herzog e sua família, a Paulo Ribeiro Bastos e aos seus familiares, a Rubens Paiva e a Miriam Leitão e seus filhos, a José Dirceu, a Aldo Arantes, a José Genoíno, a Paulo Vannuchi, a João Vicente Goulart e a tantos outros homens e mulheres que sofreram com torturas, mortes, desaparecimentos forçados e exílio”, continuou.

“Peço perdão à sociedade brasileira e à história do nosso país pelos equívocos judiciários que ocorreram em detrimento da democracia e em apoio ao regime autoritário. Recebam meu perdão, minha dor e minha resistência”, concluiu Maria Elizabeth Rocha, a primeira mulher a presidir o STM.

Rocha também destacou a importância de defender o sistema democrático, alertando: “Não podemos permitir que isso aconteça novamente”.

Presente no ato por Herzog, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) classificou o assassinato do jornalista como “um reflexo do extremismo estatal”. “Ao invés de proteger os cidadãos, o Estado os perseguia e matava. Por isso é fundamental fortalecer a democracia, a Justiça e a liberdade”, disse Alckmin, que evitou comentar uma possível revisão da Lei da Anistia. O ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) também participou da cerimônia.

A morte de Vladimir Herzog

O jornalista Vladimir Herzog foi assassinado em 25 de outubro de 1975. Ele havia se apresentado voluntariamente na sede do DOI-Codi, órgão de repressão do regime, na Zona Sul de São Paulo. Na época, a versão oficial divulgada pelos militares foi a de suicídio, ilustrada por uma foto forjada de Herzog com um cinto amarrado ao pescoço.

Vladimir Herzog
CEDOC TV Cultura/Instituto Vladimir Herzog

No entanto, investigações e laudos posteriores comprovaram que o corpo do jornalista apresentava claros sinais de tortura, desmentindo a farsa do enforcamento. A morte de Vladimir Herzog tornou-se um divisor de águas na luta contra o regime.

Uma semana após o assassinato, um ato ecumênico na mesma Catedral da Sé reuniu mais de oito mil pessoas em memória de Herzog. A cerimônia, conduzida por líderes como D. Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o reverendo Jaime Wright, consolidou-se como um dos marcos da resistência democrática no país.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 26/10/2025
  • Fonte: Sorria!,