Ato contra Reforma da Previdência reúne 5 mil metalúrgicos
Cerca de cinco mil metalúrgicos da região de Diadema participaram nesta terça-feira (07) da manifestação organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na Rodovia Imigrantes.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 07/03/2017
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O ato teve início às 6h30, quando trabalhadores saíram em caminhada de suas fábricas. Por volta das 8h eles se encontraram em frente à fábrica IGP Latarias Automotivas e de lá seguiram em passeata até o Km 15 da Rodovia dos Imigrantes, que ficou bloqueada por meia hora para a realização do ato político.
De acordo com o presidente do Sindicato, Rafael Marques, a categoria solicitava a realização de uma grande mobilização na região de Diadema contra a Reforma. “Desde que fizemos um ato na Rodovia Anchieta com os trabalhadores das montadoras e empresas de São Bernardo, em dezembro do ano passado, a base pedia que fizéssemos outra nessa região próxima a Imigrantes. Boa parte dos trabalhadores nas indústrias metalúrgicas está consciente da gravidade dessa reforma, e quanto mais informação chega, mais trabalhadores vão se juntando à luta. Estão todos indignados com o que o governo quer fazer com a aposentadoria”, destacou.
Durante o ato, o dirigente alertou os trabalhadores para o caminho que o governo está escolhendo para o País. “Não é só a Previdência. É uma reforma nas bases do Brasil. Este governo chegou ao poder sem voto, chegou pelo voto indireto do parlamento, das organizações patronais, e só sobrevive porque está promovendo o maior desmonte da base social brasileira. Está mexendo na lei trabalhista, na lei previdenciária, no conteúdo local da indústria, na terceirização”, ressaltou.
Ele reforçou que será necessário se contrapor às “propagandas mentirosas” que estão sendo utilizadas para justificar a reforma. “Eles estão usando de tudo, dizendo que se não tiver reforma da Previdência, não tem bolsa família, estão dizendo que não tem Fies, não tem infraestrutura. Mas quem aqui acredita nessa mentira?”, questionou o presidente. “É uma mentira deslavada de quem não tem compromisso com o País e sim com banqueiros, com o sistema financeiro nacional, com as multinacionais”, disse.
Na avaliação do sindicalista, a reforma proposta tem outros objetivos, além dos que são explicitados pela equipe econômica. “O que se pretende mesmo com essa reforma é convencer os trabalhadores de que não vale mais a pena pagar a previdência pública, e incentivá-los a migrar o pagamento para a Previdência Privada, gerida pelos bancos”, alertou. Ao final da manifestação, o presidente do Sindicato conclamou os metalúrgicos a dar continuidade ao processo de resistência. “A situação do Brasil é grave. Nós aqui do ABC, pela nossa história, pelo que já fizemos nesses 40 anos de mobilização, vamos trabalhar para contagiar o Brasil. Atos como o de hoje têm de acontecer no estado inteiro. Em Sorocaba, em Taubaté, em Ribeirão Preto, parar a Dutra, a Castelo Branco, a Washington Luis, nós temos que mostrar que não tem há apoio às reformas que o governo quer fazer. Nós só vamos corrigir a rota que o Brasil entrou fazendo mobilização, estando na rua mostrando força, capacidade de organização. Temos que ir para Brasília para ocupar o Congresso Nacional e dizer para esses deputados não fazerem essa insensatez com o povo brasileiro”, defendeu.
O ato teve a participação de trabalhadores nas empresas Apis Delta, Delga, Legas Metal, Metalpark, Metaltork, TRW, Autometal, Dana Spicer, Nakata, Pricol, Parker, IGP, Belden, Papaiz, TTB, Resil, Termicon e Isringhausen. Em todas as A mobilização também contou com a presença de grupos de metalúrgicos das montadoras de São Bernardo, que chegaram em comitivas.
A manifestação terminou por volta das 10h e os trabalhadores mantiveram a paralisação durante todo o primeiro turno nas 18 empresas.