Veja atividades econômicas onde há suspeita de ação do PCC e facções

Operação desta quinta-feira revela infiltração do PCC no setor de combustíveis

Crédito: Arquivo/Agência Brasil

A recente operação realizada nesta quinta-feira trouxe à tona a preocupante infiltração de organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), no setor econômico brasileiro, especialmente no ramo de combustíveis.

As investigações apontam que o PCC tem exercido um controle significativo sobre o setor, dificultando a concorrência justa para empresas que operam dentro da legalidade. Autoridades revelaram que as facções criminosas têm explorado lacunas na legislação brasileira, o que não apenas prejudica os lucros das empresas legítimas, mas também compromete a segurança do ambiente de negócios.

Leandro Piquet, coordenador da Escola de Segurança Multidimensional da USP, destacou que a transição do crime violento para atividades baseadas no mercado é uma tendência global, acentuada no Brasil devido às suas vulnerabilidades regulatórias. “As organizações criminosas têm se aproveitado dessas brechas por meio de uma rede complexa de vínculos”, afirmou Piquet.

Além do setor de combustíveis, onde o PCC atua em todas as etapas da cadeia produtiva, desde a importação até a distribuição, as investigações revelaram outras áreas com potencial para a atuação criminosa.

Setor Imobiliário

O setor imobiliário também está sob a mira das facções. O empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, antes de ser assassinado, havia revelado em sua delação como o PCC utilizava fundos de investimento em participações (FIPs) para lavar dinheiro. Em São Paulo, áreas como Tatuapé têm atraído membros da facção interessados em adquirir imóveis de alto valor para ocultar os lucros provenientes do tráfico de drogas.

Investigações apontam que até mesmo transações relacionadas ao agenciamento de jogadores e serviços financeiros estariam sendo utilizados como fachada para disfarçar atividades ilícitas.

Transporte Público

No transporte público, duas empresas de ônibus foram alvo da operação “Fim da Linha“, que revelou seu suposto envolvimento com o PCC. Essas empresas eram responsáveis pelo transporte diário de cerca de 700 mil passageiros na capital paulista e estavam sendo utilizadas para lavagem de dinheiro. A facção conseguiu participar de licitações públicas, criando uma rede complexa que incluía advogados especializados e empresas fictícias.

Serviços de Saúde

Em relação aos serviços de saúde, um homem conhecido como “Escobar brasileiro” foi preso por montar clínicas médicas e odontológicas na Grande São Paulo como parte de um esquema criminoso. Além disso, o PCC já havia sido investigado por sua infiltração em serviços públicos de saúde em Arujá.

Telecomunicações e Internet

No campo das telecomunicações, operações recentes descobriram provedores de internet suspeitos de ligação com o tráfico de drogas. Essas empresas operavam com apoio logístico dos criminosos, bloqueando a entrada de concorrentes legais. Investigações também indicaram que o PCC e outras facções estariam realizando golpes através de centrais telefônicas falsas.

Administração Pública e Finanças

A operação Soldi Sporchi revelou ligações entre o PCC e administrações públicas locais, onde fraudes em licitações foram utilizadas para beneficiar a facção criminosa. No âmbito financeiro, investigações mostram que o PCC estruturou um sistema complexo para movimentar dinheiro ilegalmente através de fintechs e corretoras.

A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) expressou preocupação com a possibilidade de uso indevido das fintechs por organizações criminosas e pediu uma regulamentação mais rigorosa desse setor.

Cultura e Entretenimento

Investigadores também descobriram vínculos entre o crime organizado e agências responsáveis pelo agenciamento de artistas do gênero funk. O Ministério Público levantou suspeitas sobre movimentações financeiras desproporcionais ao que seria esperado durante a pandemia da Covid-19.

Esses desenvolvimentos destacam a crescente influência das facções criminosas em setores cruciais da economia brasileira e levantam questões sobre a eficácia das medidas legais existentes para combater esse fenômeno em expansão.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 28/08/2025
  • Fonte: Sorria!,