Atendimento de urgência adota o Protocolo de Manchester em SBC
Sistema implementado em junho no Hospital e Pronto-Socorro Central chega agora às UPAs Baeta Neves e União/Alvarenga
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 30/09/2014
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Três unidades de atendimento de urgência e emergência de São Bernardo do Campo estão adotando o Protocolo de Manchester, sistema internacional de classificação de risco para determinar as prioridades no atendimento médico. O protocolo — já há anos aplicado na Europa — garante que sejam atendidas primeiramente as pessoas em situação crítica, em sofrimento intenso, com risco de morte ou de ter o quadro clínico agravado.
Desde o fim de junho, o novo sistema de classificação de risco vinha sendo utilizado no Hospital e Pronto-Socorro Central; na última semana, passou a ser adotado também nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) Baeta Neves e União/Alvarenga. Nas outras sete UPAs, o protocolo deverá entrar em vigor até o início do primeiro semestre de 2015.
Conforme o sistema, ao chegar à unidade de atendimento de urgência, o paciente é avaliado por enfermeiros treinados para determinar a gravidade do caso. Por meio de perguntas objetivas, o profissional avalia queixas e sintomas e o classifica conforme a urgência do atendimento, em cinco categorias determinadas por cores. Em seguida, ele recebe uma etiqueta adesiva com a cor correspondente ao seu grupo de risco.
Os casos gravíssimos, com necessidade de atendimento imediato, são classificados como vermelho. A cor laranja é destinada aos pacientes que apresentam caso grave, que precisa de atendimento o mais rápido possível.
A cor amarela representa os casos de gravidade moderada, com necessidade de atendimento, mas sem risco imediato. A classificação verde indica os pacientes com pouco risco de complicação, que podem aguardar atendimento. Por fim, o azul é destinado aos pacientes com casos de baixa complexidade, que podem esperar o atendimento ou procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
A gerente da UPA Baeta Neves Vanilza Pereira de Lima destacou que 60% dos atendimentos registrados mensalmente na unidade são classificados como de pouco risco.
A nova classificação ajudou a agilizar o atendimento da dona de casa Maria do Carmo Evangelista, que chegou à unidade do Baeta Neves com problemas de pressão arterial. “Minha esposa estava descompensada e já não conseguia falar. Entramos direto na sala vermelha e foi prontamente atendida”, disse o autônomo Reinaldo Pereira Ferreira.
Mesmo quem teve de esperar por atendimento não se queixou do novo sistema de classificação. Foi o caso do digitalizador Renan Barros Oliva, que esperou por 30 minutos para ser atendido pelo médico generalista. “Não vejo problema em um paciente que precisa de cuidados mais urgentes ser atendido na frente”, disse.
Treinamento – Médicos e enfermeiros do PS Central passaram por treinamento sobre o Protocolo de Manchester, realizado pelo Grupo Brasileiro de Classificação de Risco (GBCR). A organização, de direito privado e sem fins lucrativos, é a única autorizada a formar profissionais, auditar e apoiar a implementação do sistema no País.
A coordenadora técnica do GBCR conta que são inúmeros os benefícios colhidos pelos locais que adotaram o modelo. “O paciente sabe que não vai morrer na fila, esperando para ser atendido. Isso faz toda a diferença. Mesmo os que têm de aguardar mais, como no caso dos classificados pela cor azul, têm a segurança de que serão priorizados se precisarem”, declara.
Sistema está em 19 países – O Protocolo de Manchester foi criado em 1997 pelo médico Kevin Mackway-Jones, que trabalhava em um hospital de urgência e emergência na cidade inglesa de mesmo nome. Após se debruçar sobre o perfil dos atendimentos e os índices de mortalidade de pacientes que davam entrada no serviço, ele entendeu que era preciso criar mecanismos de triagem.
O Protocolo de Manchester é adotado por unidades de Saúde de 19 países, com destaque para Portugal, que tem o sistema em quase 100% da rede.