Até que ponto valorizamos nossos ídolos?
A ausência de ex-jogadores que conquistaram o tetra e pentacampeonato no velório de Pelé foi motivo de críticas pela mídia e o público
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 04/01/2023
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Ainda falando mais sobre o velório e sepultamento que aconteceu entre segunda (02/01) e terça (03/01), a mídia cobrou de maneira acentuada – e justa – a presença de ídolos do futebol que conquistaram o tetracampeonato em 1994 e o penta em 2002 com a Seleção Brasileira. Entretanto o que parece justo ser cobrado virou motivo de raiva entre os ex-jogadores.
O capitão da Seleção Brasileira em 2002, Cafu explicou que estava em Frankfurt e não conseguiu antecipar sua volta ao Brasil. “Infelizmente e com todo pesar eu não pude estar no velório do Pelé, estou do outro lado do mundo, a trabalho, meus voos de volta ao Brasil iniciaram nesta madrugada com algumas paradas que me farão chegar no Brasil apenas amanhã. Tive total compreensão para ir embora antes, mas não consegui antecipar os voos ou até mesmo diminuir as paradas com voos mais diretos, infelizmente não consegui. Isso muda o que sinto por Pelé, ou o que ele representa para mim e para o futebol? Jamais!”, diz o texto da publicação de Cafu.
Já o também pentacampeão Rivaldo, disse que mesmo estando no Brasil prefere homenageá-lo de outra maneira que não seja indo ao velório. “Gostaria de passar a limpo essa história que estão falando na mídia que nenhum jogador do penta foi no velório do Pelé . Eu falo por mim, que mesmo se eu estivesse no Brasil não tenho certeza se iria ao velório mesmo sabendo que o Pelé foi o melhor de todos os tempos. Não gosto de fazer homenagem nesta hora, não sou contra quem quer fazer. Eu conheci o Pelé, tive várias vezes com ele e tive a oportunidade de honrar e homenagear ele em vida. Mostrei meu carinho e admiração por ele em cada momento e ele sempre agradeceu por isso. Ninguém vai mudar o meu respeito e admiração que eu tinha e continuo tendo por ele por não ir no velório. A melhor homenagem é em vida e isto eu fiz e estou com a consciência bem tranquila.”
É claro que alguns se justificaram de alguma maneira, embora considere impensável algo neste sentido. Certamente temos que respeitar o momento e a dor das pessoas, entendendo a opção e a decisão de não irem. Pepe, ídolo do Santos no auge de Pelé também não foi em decorrência de sua saúde. Bom, cada um é cada um.
Permaneço com a sensação de que em um momento como este não se pode deixar de dar um último adeus a quem abriu as portas do futebol para todos os demais. É uma manifestação de respeito, de empatia e de demonstração que realmente se importava. Enquanto 230 mil pessoas se deslocaram dos mais diversos lugares do país e do mundo para Santos para homenagear o Atleta do Século, não ver nenhum representante do tetra e pentacampeonato não soa uma imagem positiva não.
Quando cobramos a presença dos mesmos não significa sermos chatos, não significa sermos piegas. Apenas queremos zelar por nossos ídolos, seja no esporte, na cultura, na música, independente da área de atuação. Foram ausências sentidas por razões óbvias e era nossa obrigação falar sobre isso.