Assembleia deve ter CPI da Merenda ‘ampliada’
Partidos da base aliada do governador Alckmin (PSDB) decidiram apoiar a iniciativa dos estudantes que cobram uma CPI para investigar as denúncias de desvio de verba na merenda no Estado
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 11/05/2016
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Assembleia Legislativa de São Paulo por estudantes.
Os deputados recolheram as assinaturas necessárias para instalar uma CPI com foco ampliado para as 22 cidades que também fecharam convênios com a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), além do governo paulista.
No pedido original, do PT, o alvo estava restrito à Secretaria da Educação. Faltavam 5 das 32 assinaturas necessárias para os petistas protocolarem a CPI da Merenda. Ainda assim, ela só seria instalada se a oposição conseguisse 48 votos em plenário.
Agora, os tucanos afirmam que vão aprovar um projeto de resolução que vai permitir a instalação de uma sexta CPI na Casa – o regimento interno só permite que cinco funcionem simultaneamente – e colocar a CPI da Merenda como prioridade na fila de pedidos de investigação. “Nós ampliamos o escopo para as prefeituras que recebem repasses do governo do Estado para a merenda. Temos de passar tudo isso a limpo. Não importa de que partido for”, disse o deputado Orlando Morando (PSDB).
A Coaf, com base em Bebedouro, está no centro da Operação Alba Branca da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual, que investiga superfaturamento na compra de insumos para merenda escolar, como suco de laranja, mediante pagamento de propina a agentes públicos e políticos. Entre os investigados no esquema está o presidente da Assembleia, Fernando Capez (PSDB), que nega as acusações.
Deputados da base de Alckmin disseram que estavam se sentindo pressionados por eleitores a assinar o pedido de CPI do PT após a ocupação pelos estudantes. O entendimento era de que a oposição conseguiria em breve as 32 assinaturas necessárias – hoje apenas 18 deputados não são da base aliada – e de que a pressão aumentaria. Por isso, decidiram criar a própria comissão da merenda. A expectativa é de que a CPI seja instalada na semana que vem.
A bancada do PT disse na terça-feira, 10, que assinaria a CPI governista, mas reivindicou o direito de ocupar a presidência ou relatoria da comissão por ter proposto a investigação antes, há cerca de dois meses. “Vamos assinar a CPI. Se não ocuparmos um dos dois cargos, essa comissão será chapa-branca”, disse o líder petista Zico Prado. Entre as prefeituras que serão investigadas pelos contratos da merenda estão gestões do PT, como São Bernardo e São José dos Campos, e do PSDB, como Santos.
Ausência
Ex-braço direito do secretário-chefe da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin, Luiz Roberto dos Santos, o Moita, não compareceu na terça-feira à Assembleia, onde iria depor na Comissão de Educação da Casa. A reunião nem foi iniciada, porque deputados da base de Alckmin não compareceram e não houve quórum.
A polícia investiga se Moita operava para a quadrilha da merenda escolar de sua sala no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Moita caiu no grampo da Polícia Civil várias vezes, dizendo a interlocutores “tô no Palácio”.
O deputado João Paulo Rillo (PT) criticou a manobra governista. “Hoje, o PSDB deu mais uma amostra de cinismo e esvaziou a comissão, boicotando qualquer tentativa de investigação do caso” disse o petista, que recebeu uma representação no Conselho de Ética da Casa por ter supostamente ajudado cerca de 70 estudantes a invadir o plenário, na semana passada, e agredir um policial militar que tentava detê-los.