Assassinato de aliado de Trump intensifica alerta sobre violência política
Especialistas apontam que polarização e redes sociais ampliam risco de novos ataques
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 14/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O assassinato do influenciador conservador Charlie Kirk, aliado do ex-presidente Donald Trump, acendeu novo sinal de alerta sobre a escalada da violência política nos Estados Unidos.
O episódio se soma a uma série de atentados registrados em 2025, que atingiram figuras de diferentes espectros partidários. Entre eles, o ataque que matou a deputada democrata Melissa Hortman, em Minnesota, e o incêndio criminoso contra a residência do governador da Pensilvânia, Josh Shapiro.
Dados mostram aumento das fatalidades
De acordo com levantamento do Banco de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados (Acled), nos últimos 12 meses ocorreram 110 episódios de violência política no país, resultando em 44 mortes — 36 delas classificadas como “violência contra civis”.
Em comparação internacional, o número é considerado alto: na Alemanha, no mesmo período, houve 77 eventos com 15 fatalidades; já na França, 87 registros e nove mortes.
Especialistas divergem sobre cenário
Para Javier Ali, ex-agente do FBI e professor de contraterrorismo na Universidade de Michigan, a violência política é um fenômeno recorrente na história americana. Ele ressalta, no entanto, que as redes sociais amplificam o clima de polarização e podem prolongar esta onda de ataques.
Já Robert Pape, da Universidade de Chicago, alerta que o país está “à beira de uma era extremamente violenta na política”, com pesquisas mostrando maior aceitação do uso da força por parte de democratas e republicanos.
Percepção distorcida da sociedade
Estudos conduzidos por Sean Westwood, do Dartmouth College, indicam que apenas 2% dos americanos veem crimes políticos como aceitáveis. O problema, segundo ele, é a percepção equivocada de que o lado oposto apoia a violência, criando um “inimigo fantasma” que intensifica a sensação de insegurança.
Para especialistas como Barbara Walter, da Universidade de San Diego, fatores como o enfraquecimento da democracia, divisões sociais profundas e a ampla circulação de armas contribuem para o agravamento do cenário.