Cine Materna: As lições reais do filme "Mãe Fora da Caixa"

Entre humor e dor, longa brasileiro expõe puerpério, culpa materna e os limites do “dar conta de tudo”

Crédito: (Montagem/Edvaldo Barone/ABCdoABC)

Oi, mamães. Aproveitando que a Semana do Cinema está aí, eu tirei um tempinho para uma sessão de cinema em casa e a escolha não poderia ter sido mais certeira: “Mãe Fora da Caixa”. O filme é brasileiro, dirigido por Manuh Fontes e adaptado do livro da Thaís Vilarinho.

Vim compartilhar essa dica com vocês porque, olha… sem dar muito spoiler, eu tenho certeza de que vocês vão se enxergar em cada cena. O filme é uma comédia sensível, mas, acima de tudo, muito honesta sobre o puerpério. Ele toca na ferida de temas como rede de apoio, saúde emocional e as mudanças na família, tudo sem aquela romantização que a gente está cansada de ver.

Em “Mãe Fora da Caixa”, a personagem principal é a Manu (vivida pela Miá Mello), uma mulher super bem-sucedida, acostumada com metas, prazos e controle total da vida. Ela planejou trabalhar até o último minuto, mas aí vem a primeira lição do filme: a vida não segue planilha. A filha dela decide vir antes da hora e o sonho do parto normal vira uma cesárea de emergência. Sabe aquele banho de realidade? Pois é. Às vezes a gente planeja mil coisas na gestação, mas é preciso aceitar que, nesse universo, o controle é um mito.

Mãe Fora da Caixa
(Divulgação/Stella Carvalho)

Como se não bastasse o caos do recém-nascido, o marido dela, o André (Danton Mello), recebe uma proposta de emprego para passar metade da semana viajando. E a Manu, crente que daria conta de tudo sozinha sem mudar seu “cronograma”, quebra a cara. Aqui vem a segunda lição: cuidar de um filho sozinha não é impossível, muitas mães fazem isso por falta de opção, mas ter uma rede de apoio é o que salva a nossa saúde física e, principalmente, a mental.

“Mãe Fora da Caixa” também fala abertamente sobre o casamento e o mercado de trabalho. Li uma frase outro dia que dizia: “Se você soubesse como o mercado vê a maternidade, jamais seria mãe”. No filme, isso aparece de forma crua. Quantas de nós não aguentam firme na gravidez só para garantir o tempo com o bebê, para depois serem demitidas no retorno? Ou pior: ter que ouvir de recrutador a famosa pergunta: “Com quem seu filho vai ficar?”. A carga para a mulher é infinitamente mais pesada.

A Manu passa o filme tentando equilibrar os pratos: tenta recuperar a intimidade com o marido entre choros e fraldas, e sofre com a dúvida de em quem confiar para deixar o bebê ao fim da licença de 4 meses. Aliás, fica aqui a minha indignação: se a recomendação é amamentação exclusiva até os 6 meses, por que a licença acaba antes? Sem falar na licença-paternidade, que parece piada de mau gosto.

Enfim, “Mãe Fora da Caixa” é um retrato necessário, falado de maneira direta e sem tabus. Espero que vocês assistam, riam (para não chorar), se emocionem e se sintam abraçadas, assim como eu me senti.

Assista ao trailer de “Mãe Fora da Caixa”:

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 04/02/2026
  • Fonte: Fever