Artistas franceses realizam oficinas de criação coletiva e juntam Hip Hop à literatura brasileira em Diadema

Trabalho tem objetivo de incentivar a leitura de clássicos literários com abordagem musical e recebe influência do movimento Beat Generation

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Imagine musicalizar clássicos da literatura nacional, como de Machado de Assis, Guimarães Rosa ou modernos como os de Sérgio Vaz (Cooperifa) ao ritmo do samba, baião e até Hip Hop. Embora a mistura pareça improvável, essa é a proposta das oficinas de criação coletiva, que estão sendo desenvolvidas em Diadema, sob a direção dos franceses Frédéric Pagès, cantor, ator, jornalista e escritor, e Xavier Desandre-Navarre, percussionista.

Desde 26 de março os franceses já ministraram dez oficinas e as atividades acontecem até dia 05 de maio. Com nove participantes, os encontros envolvem alongamentos, aquecimentos respiratórios, exercícios com o corpo e a voz, além de improvisação quase teatral. Segundo Pagès, esses elementos e o emprego do ritmo ao conteúdo literário são técnicas que permitem identificar a ligação entre o Hip Hop, o repente, a poesia concreta e a poesia cantada.

Este trabalho tem influência do movimento contracultural norte-americano Beat Generation, que teve início no final dos anos 1950. Realizadas na Casa do Hip Hop, às segundas, terças e quintas-feiras, das 18h às 22h, e sábado, das 15h às 18h, as oficinas são direcionadas a arte-educadores de Diadema e da região metropolitana de São Paulo.

O trabalho com os jovens músicos, Djs, MCs e dançarinos vai garantir subsídio para a produção do Manual de Literatura (En)-Cantada, que consiste em um Livro-CD, com dez a 15 faixas de textos musicalizados, com enfoques em autores nacionais e afro-brasileiros e na estética musical do Hip Hop.

Pagès explica que o projeto Literatura (En)-Cantada pretende tornar-se não só um canal de experimentação artística para o público em geral, mas também um objeto didático. “A técnica pode servir às escolas que se interessarem em incluí-lo como conteúdo diferenciado durante as aulas de literatura, proporcionando dinamismo aos estudantes e estabelecendo um diálogo entre cultura e educação”, ressalta.

A iniciativa tem coordenação da Associação Cultural e Educacional Zulu Nation Brasil, em parceria com Le Grand Babyl, da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Diadema, apoio do Institut Français e patrocínio da Petrobras. A previsão é que o “Manual de Literatura (En)-Cantada” seja lançado durante um show, no final de junho, em Diadema.

Histórico – Não é a primeira vez que Frédéric e Xavier realizam intercâmbio cultural no Brasil. Há mais de 30 anos, os dois participam de programas sociais e da gravação de discos que dão ritmo às obras de escritores nacionais, além de apresentações com músicos brasileiros.

O projeto atual Literatura (En)-Cantada vem da ação desenvolvida por Frédéric e Xavier em 2009, junto à Prefeitura de Diadema, por ocasião das comemorações do Ano da França no Brasil. Na época os dois profissionais foram convidados pela Administração a ministrar duas oficinas de literatura ‘cantada’, uma na Casa da Música e outra na Casa do Hip Hop.

Admirador da música brasileira, Frédéric já produziu CDs e turnês de artistas, como Hermeto Pascoal e do grupo instrumental Pau Brasil. Com trajetória na coordenação de eventos, durante dez anos organizou o “Grenoble Jazz Festival”, na França. De Montreuil, cidade da região metropolitana de Paris, o músico realiza concertos literários para divulgar os trabalhos autorais, que totalizam em oito álbuns, dos quais cinco foram gravados no Brasil. O mais recente é “Entre Délices et Terreur”.

Já o parceiro percussionista Xavier chegou a dividir o palco com a pianista brasileira Tania Maria, o saxofonista norte-americano David Sanborn, a banda de soul makossa Manu Dibango, e atuou na “Orchestre National de Jazz”, da França. O multi-instrumentista já participou da gravação de 150 discos e obteve experiências após se apresentar em diversos países, como Japão, China, Marrocos, Vietnã e Estados Unidos.

Diversidade cultural – Diadema desenvolve uma política pública voltada à difusão das várias linguagens culturais, ao mesmo tempo em que procura ampliar o acesso da população a espetáculos e aos processos de produção. Uma rede de equipamentos públicos e de profissionais qualificados dá suporte a esta política.

Além de 11 Bibliotecas e dez Centros Culturais, o município conta com o MAP (Museu de Arte Popular), o Teatro Clara Nunes e o Centro de Memória. Nestes espaços são promovidos espetáculos e atividades de formação. Toda esta gama de equipamentos e programas faz com que a cidade viva um permanente processo produtivo.

Casa do Hip Hop – Conhecida internacionalmente e referência nacional pelo trabalho social que realiza, a Casa do Hip Hop foi inaugurada em 29 de julho de 1999 e está instalada dentro do Centro Cultural Canhema. Pela amplitude exercida e reconhecida, em 2004 o local recebeu o Prêmio Hutúz, na categoria Hip Hop Social na quinta edição do evento.

A unidade, mantida pela Prefeitura de Diadema, através da Secretaria de Cultura, promove oficinas gratuitas aos jovens, que reforçam a cidadania e a autoestima. Os cursos envolvem os quatro elementos – break, graffiti, MC e DJ. O espaço oferece acervo de discos e vídeos-publicações sobre o Movimento no Brasil e a Cultura Negra, que serve de referência a pesquisadores e estudantes de diversas regiões.

Pela Casa já passaram nomes importantes do Hip Hop. Entre eles, o DJ londrino Pogo, Bambaataa, DJ Hum, o rapper Thaíde, o dançarino de break, Nelson Triunfo, que por muito tempo deu aulas na Casa, Edi Rock do grupo Racionais MC’S, SNJ, Apocalipse 16, RZO, Gerson King Combo. Quem também conferiu o espaço e suas ramificações foi o ex-ministro da Cultura e compositor, Gilberto Gil.

Serviço:

Oficinas de criação coletiva – ‘Manual Literatura (En)-Cantada’

Até 5 de maio

De segunda, terça e quinta-feira, das 18h às 22h, e ao sábado, das 15h às 18h

Casa do Hip Hop – Centro Cultural Canhema

Rua 24 de Maio, 38 – Jardim Canhema – Tel.: (11) 4075-3792

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  • Publicado: 12/04/2012 00:19
  • Alterado: 12/04/2012 00:19
  • Autor: Jariza Rugiano
  • Fonte: Secom Diadema