Artigo de Manente em defesa da Indústria Química

Sem nafta a custos competitivos, a Indústria Química posterga, cancela ou inviabiliza novos investimentos no Brasil

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Responsável pelo 4º PIB industrial do País, o setor químico tem uma característica marcante: o poder multiplicador nas diversas cadeias produtivas, que incluem desde fertilizantes para o agronegócio até peças e compostos plásticos para a indústria automotiva; de embalagens para alimentos e bebidas até insumos básicos para tintas e vernizes. Inclusive por este diferencial, é chamada de “indústria das indústrias”.

Mas o primeiro elo desta extensa e diversificada cadeia industrial começa no setor petroquímico, que processa a matéria prima básica – seja ela nafta, gás ou etanol (no caso do plástico verde) – e a transforma em produtos químicos como eteno, propeno, butadieno, paraxileno, entre tantos outros.

Na verdade, a química nasce nos fornos de craqueamento de hidrocarbonetos de uma central petroquímica. É por isto que se fala tanto sobre a importância da nafta no Brasil: sem matéria-prima suficiente e custos competitivos, deixam de existir as condições básicas para a implantação de um setor químico forte e diversificado.

O Brasil está próximo de viver um paradoxo: criou e desenvolveu nos últimos 50 anos uma indústria química pujante, moderna e complexa justamente quando não possuía matéria-prima farta e barata. E conseguir torná-la a 6ª maior no ranking global do setor!

E hoje, quando tem petróleo, pré-sal, gás natural, etanol e biotecnologia em abundância, corre o risco de sufocar o presente e comprometer o futuro da indústria química pois não consegue oferecer contratos de fornecimento de nafta de longo prazo a preços razoáveis, o que gera insegurança jurídica, posterga ou cancela novos projetos, inviabiliza o planejamento de longo prazo tão primordial em um setor de capital intensivo e marcado por empreendimentos que exigem longo prazo de maturação.

Enfim, o Brasil não pode nem deve abdicar de um setor estratégico para seu desenvolvimento econômico e social. Por isso luto em defesa da da indústria química, tão crucial para a economia do nosso Grande ABC.

Alex Manente é deputado federal pelo PPS/SP e Coordenador de Petroquímicos da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Química da Câmara Federal

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 20/11/2015
  • Fonte: FERVER