Artesanato no Carnaval impulsiona economia criativa em SP
Iniciativa estadual profissionaliza mestres da cultura popular e transforma a produção manual em fonte de renda bilionária.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 05/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O artesanato no Carnaval consolida-se como um pilar econômico estratégico, unindo tradição e geração de renda em São Paulo. Com a proximidade das festividades de 2026, a produção manual deixa de ser apenas uma manifestação folclórica para assumir protagonismo no PIB estadual, impulsionada por políticas de profissionalização que transformam matérias-primas simples em ativos culturais de alto valor agregado.
Em Lençóis Paulista, região de Bauru, a mistura de cola de maizena, papel e criatividade ilustra essa dinâmica. Antônio Marcos da Silva, reconhecido como Mestre Artesão pelo Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), utiliza a técnica da papietagem para criar máscaras e bonecos gigantes. Sua trajetória reflete a ascensão de um setor que busca romper estigmas.
“A iniciativa vem para quebrar o estigma de que a arte popular é algo menor. Quando o artesanato é valorizado, finalmente nós somos valorizados”, afirma Antônio.
Impacto econômico do artesanato no Carnaval
A produção focada no artesanato no Carnaval movimenta uma cadeia produtiva robusta. Segundo dados do Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), o cenário é de crescimento expressivo:
- Força de Trabalho: Mais de 92 mil artesãos registrados no estado de São Paulo.
- Volume Financeiro: O setor contribuiu com cerca de R$ 136,6 bilhões para a economia.
- Representatividade: O montante equivale a aproximadamente 5,2% do PIB paulista (dados de 2022).
Para sustentar esses números, o programa Empreendedor Artesão, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), atua na formalização e fomento. O suporte inclui desde a emissão da Carteira do Artesão até o acesso a linhas de crédito do Banco do Povo Paulista, permitindo que criadores modernizem seus ateliês para atender à alta demanda sazonal.

Da técnica manual à expressão cultural
A relação de Antônio com o fazer manual remonta à infância no Nordeste. Sem acesso a brinquedos industrializados, ele encontrou nas feiras livres a matéria-prima para sua arte. O “grude” — cola natural feita de amido de milho — unia-se a papéis de embalagens para dar vida a esculturas.
Hoje, essa bagagem técnica ganha novos contornos em São Paulo. O artesão desenvolve peças que dialogam diretamente com a cultura popular brasileira, inserindo o artesanato no Carnaval como ferramenta de resistência e identidade.
A mudança para o território paulista foi decisiva. “Aqui meu trabalho ganhou mais forma, mais técnica e mais repertório criativo”, explica Antônio, que hoje também ministra oficinas para perpetuar o conhecimento. Para ele, a comercialização das peças ultrapassa a transação financeira.
“Quando você compra artesanato, você compra um afeto. É um objeto que dialoga com você diretamente. São encontros de afeto do artista com o afeto de quem está comprando aquela peça.”
Ao integrar formalização, crédito e valorização cultural, São Paulo demonstra que investir no artesanato no Carnaval é uma estratégia eficaz de desenvolvimento socioeconômico sustentável.