Argentina enfrenta desafios econômicos com fim das restrições cambiais
Mudanças na economia argentina: governo Milei libera acesso ao câmbio, mas inflação em alta traz novos desafios. O que esperar agora?
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 12/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
A economia argentina se encontra em um momento crucial, com a recente decisão do governo de Javier Milei de eliminar as restrições ao acesso à moeda estrangeira e ao movimento de capitais. Essa mudança é vista como um dos principais desafios a serem superados para garantir o sucesso do novo plano econômico implementado pelo presidente. No entanto, um aumento significativo da inflação em março trouxe à tona as dificuldades que ainda persistem.
Após quase seis anos sob severos controles cambiais, a administração argentina anunciou, na noite de sexta-feira (11), a flexibilização das regras que limitavam o acesso ao mercado de câmbio para indivíduos e empresas. Essa medida foi possibilitada por um robusto pacote de assistência financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) e outros organismos multilaterais.
O presidente Milei afirmou em pronunciamento nacional que a revogação das restrições representa uma ruptura decisiva com um sistema que, segundo ele, havia aprisionado a economia argentina. “Eliminamos o bloqueio cambial da economia para sempre”, declarou, enfatizando que essa mudança permitirá a atração de investimentos diretos no setor produtivo.
A nova política cambial proporciona aos cidadãos argentinos acesso irrestrito às moedas estrangeiras. Para as empresas, foi estabelecido que as remessas de lucros ao exterior só poderão ser realizadas a partir do exercício financeiro atual, enquanto um novo título público será criado para regularizar dívidas comerciais acumuladas anteriormente.
O governo introduzirá um sistema de bandas cambiais a partir de segunda-feira (14), estabelecendo que o valor do dólar flutue entre 1.000 e 1.400 pesos, com ajustes mensais de 1%. O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou que essa estratégia não deve ser confundida com uma desvalorização da moeda, mas sim como uma nova forma de gestão das taxas cambiais.
Essa reestruturação foi viabilizada por um acordo financeiro inédito com o FMI, que inclui uma linha de crédito totalizando US$ 20 bilhões. Desses, US$ 12 bilhões estarão disponíveis imediatamente, marcando uma liberação inicial atípica para os padrões do FMI.
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, comentou sobre os avanços realizados pela Argentina em direção à estabilização econômica e expressou confiança nas reformas propostas pelo governo Milei.
Além disso, o governo argentino anunciou sua intenção de implementar reformas tributárias, trabalhistas e previdenciárias. A capacidade imediata de capital é considerada fundamental para fortalecer as reservas do Banco Central e proteger a economia contra uma possível fuga de capitais.
Recentemente, tanto o Banco Mundial quanto o Banco Interamericano de Desenvolvimento se comprometeram com linhas de crédito adicionais significativas, elevando o total já assegurado para US$ 42 bilhões. O presidente também propôs um aumento nas metas de superávit fiscal primário entre 1,3% e 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB), enfatizando um compromisso com a responsabilidade fiscal mesmo em ano eleitoral.
No entanto, os recentes dados sobre inflação revelaram um aumento inesperado em março, quando a taxa atingiu 3,7%, contrariando as expectativas que apontavam para 2,6%. Esse resultado interrompeu uma tendência de queda nos índices inflacionários e representa um desafio significativo para a administração Milei em seu esforço contínuo para estabilizar a economia argentina.
O controle da inflação permanece como uma das métricas mais importantes para avaliar a eficácia da gestão econômica do governo. A performance nas próximas eleições legislativas será crucial para determinar se Milei poderá avançar com suas reformas estruturais e obter maior apoio no Congresso.