Argentina deixa de ser destino barato para turistas brasileiros
Com unificação cambial e inflação alta, viagens ao país dos hermanos já não é mais uma opção em conta
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 15/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A Argentina, um destino que historicamente atraía turistas brasileiros e de outras partes da América Latina, enfrenta uma transformação significativa em seu cenário econômico. Famosa por seu charme europeu, a qualidade de suas carnes e um câmbio que favorecia os visitantes, o país agora se torna menos acessível devido a mudanças recentes nas políticas cambiais implementadas pelo presidente Javier Milei.
O encanto da Argentina, especialmente de cidades como Buenos Aires, Mendoza e Bariloche, era amplamente sustentado por uma moeda local desvalorizada em relação ao dólar. No entanto, com o novo regime de câmbio anunciado em 11 de agosto de 2023, a expectativa de viagens mais econômicas parece ter se dissipado. O índice Big Mac, uma ferramenta criada pela revista The Economist para medir a paridade do poder de compra, revelou que o preço do famoso hambúrguer argentino subiu para US$ 7,37, tornando-se o mais caro da América Latina e o segundo mais alto globalmente. Um ano atrás, o mesmo produto custava cerca da metade desse valor.
Impacto direto no bolso dos turistas
Com a inflação em pesos ainda corroendo o poder aquisitivo local, a valorização do peso argentino resultou em preços que surpreenderam muitos visitantes. Essa mudança deve-se a uma série de medidas adotadas pelo governo Milei para controlar a inflação, incluindo um severo ajuste fiscal e cortes de subsídios. Uma das principais estratégias foi o congelamento do câmbio oficial em níveis artificialmente baixos, criando um ambiente em que os preços continuaram a subir localmente enquanto a cotação do dólar perdia valor.
Os turistas brasileiros, que costumavam se beneficiar da troca de reais por pesos no mercado paralelo conhecido como “dólar blue”, agora enfrentam um novo desafio. Com o fim do regime de câmbio fixo e a unificação do mercado cambial anunciada pelo governo na última sexta-feira, o peso argentino começará a flutuar dentro de uma faixa entre 1.000 e 1.400 pesos por dólar. Essa mudança elimina as vantagens previamente oferecidas pelo mercado paralelo.
Jeff Patzlaff, economista e especialista em investimentos, aponta que a recente liberalização das taxas cambiais diminuiu significativamente as diferenças entre o câmbio oficial e o paralelo. “Os turistas brasileiros estavam habituados a taxas favoráveis no mercado paralelo, mas essa vantagem foi reduzida com a unificação cambial”, afirma Patzlaff.
Alta de preços e cautela no planejamento das viagens
Conforme observa Elaine Domenico, especialista em investimentos e sócia da The Hill Capital, as condições econômicas na Argentina também continuam complicadas pela inflação interna persistente. Isso impacta diretamente os custos de hospedagem, alimentação e atividades turísticas. “A conta final da viagem aumentou mesmo com um câmbio oficial mais organizado”, conclui.
Diego Costa, chefe de câmbio da B&T XP, acrescenta que a imagem da Argentina como um destino barato está sob ameaça com essas novas medidas. A estabilidade econômica desejada pelo governo Milei pode ser benéfica para turistas e investidores a longo prazo; contudo, atualmente é necessário que os viajantes brasileiros abordem essa transição com cautela.
A nova política também está acompanhada por um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) no valor de US$ 20 bilhões para apoiar a recapitalização do Banco Central e promover um processo de desinflação. O ministro da Economia, Luis Caputo, expressou esperança de que essa nova abordagem traga uma moeda mais saudável e confiança suficiente para eventuais cortes tributários e crescimento futuro.
No entanto, à medida que as promoções desaparecem e os preços sobem, muitos turistas estão percebendo que os dias de viagens baratas à Argentina podem estar chegando ao fim.