Apostas esportivas devem render R$ 6 bi ao governo até fim de 2025

Com 158 plataformas autorizadas a operar até 2029, setor regulamentado passa a integrar estratégia fiscal e digital da Receita Federal

Crédito: Joédson Alves/Agência Brasil

O mercado brasileiro de apostas esportivas passou a ocupar papel central na estratégia de arrecadação do governo federal. Com a regulamentação em vigor desde o início de 2025, a expectativa do Ministério da Fazenda é de que o setor contribua com até R$6 bilhões em tributos até o fim do ano. A movimentação integra o pacote de medidas da União voltadas à digitalização da economia e foi reforçada no início do segundo semestre com o lançamento de uma campanha da Receita Federal voltada à conscientização sobre as apostas legais.

A regulamentação segue os parâmetros da Lei 14.790/2023 e já permitiu a autorização de 158 plataformas para operar legalmente no país até 2029. Segundo Ricardo Santos, cientista de dados e fundador da Fulltrader Sports, empresa especializada em softwares SaaS para trade esportivo, o novo marco regulatório oferece mais segurança ao consumidor e representa um divisor de águas para o mercado. “A formalização reduz riscos, exige transparência das plataformas e impõe regras claras de operação, o que também favorece o investimento em inovação e boas práticas”, afirma o especialista.

Apostas Esportivas - Bets
Joédson Alves/Agência Brasil

Estudos do setor indicam que o volume de apostas no Brasil deve ultrapassar os R$100 bilhões ao longo de 2025. Até 2023, o país já movimentava R$150 bilhões anualmente, de acordo com estimativas da Fulltrader Sports, o que reforça o potencial arrecadatório da tributação digital.

A campanha lançada pela Receita Federal neste semestre tem como objetivo orientar os usuários sobre os riscos do uso de plataformas não autorizadas e incentivar a adoção de práticas de jogo responsável. A Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, alerta para os perigos das apostas feitas em sites não licenciados, especialmente os hospedados no exterior, que não seguem critérios de segurança, integridade ou proteção ao consumidor.

Além do impacto fiscal, a regulamentação impulsionou investimentos no mercado de tecnologia e dados, que já cresce a dois dígitos ao ano. “As plataformas mais estruturadas passaram a apostar em inteligência artificial, análise estatística e simulações em tempo real para oferecer experiências mais personalizadas aos usuários”, explica Ricardo Santos. Segundo ele, esse movimento favorece o uso estratégico da informação e o amadurecimento do setor.

Bruno Peres/Agência Brasil

Ainda assim, os desafios persistem. A presença de sites ilegais, o crescimento das microapostas em tempo real e a vulnerabilidade de públicos jovens às campanhas publicitárias exigem atenção das autoridades e das operadoras. “É fundamental reforçar a educação digital, ampliar as ações de prevenção e garantir que a arrecadação venha acompanhada de responsabilidade social”, pondera o especialista.

Para o governo, o crescimento do mercado regulado representa uma oportunidade inédita de ampliar a arrecadação sem a criação de novos impostos, apenas incorporando à base tributária um setor antes informal e subnotificado. A expectativa é que os recursos obtidos com as apostas sejam utilizados em programas sociais, educação financeira e fomento ao esporte.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 12/08/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo