Após disputa judicial, Bolsonaro entrega exames para detectar covid-19

Os exames foram divulgados depois de o Estadão entrar com ação no STF, para obrigar a divulgação para a sociedade brasileira em nome do interesse público em torno da saúde do presidente

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Os exames apresentados pela defesa do presidente Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF) mostram que o chefe do Poder Executivo não estava infectado pelo novo coronavírus na época dos testes. O presidente entregou exames com codinome (Airton Guedes e Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz), mas o CPF, o RG e os documentos informados nos papéis são de Bolsonaro.

Os exames foram divulgados depois de o Estadão entrar com uma ação no STF, para obrigar que informação fosse divulgada para a sociedade brasileira em nome do interesse público em torno da saúde do presidente. A Justiça Federal de São Paulo e o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) garantiram ao Estadão o direito de ter acesso aos documentos.

Dos três exames, dois foram feitos no Sabin (em 12 e 17 de março) e um no Fiocruz no mês de março.

Para o advogado do Estadão Afranio Affonso Ferreira Neto, “mais do que a liberdade de expressão e o direito de informar”, se trata do “direito a receber informação”. “Um direito que não é titulado pela imprensa, mas pela coletividade”, afirmou Ferreira Neto.

No mês passado, o presidente disse que era prática corriqueira o uso de codinome para fazer exames. “Eu sempre falei com o médico: ‘Bote o nome de fantasia porque pode ir pra lá, Jair Bolsonaro’ já era manjado, principalmente em 2010, quando comecei a aparecer muito, né. Alguém pode fazer alguma coisa esquisita. Em todo exame que eu faço tem um código”, afirmou Bolsonaro em entrevista à imprensa.

Em 2010, no entanto, o presidente ainda ocupava o cargo de deputado federal, sem chegar à Presidência da República e governar todos os brasileiros.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 13/05/2020
  • Fonte: FERVER