Após assembleia, Sindicato paralisa Arteb

Trabalhadores ficarão de braços cruzados, em princípio, até segunda-feira. Sindicato espera abrir negociação com empresa, que demitiu de surpresa e entrou com pedido de recuperação judicia

Crédito: Edu Guimarães

Em assembleia realizada na tarde de quinta-feira (18), conduzida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os trabalhadores na Arteb, em São Bernardo do Campo, decidiram por unanimidade paralisar as atividades em protesto pela demissão de 370 dos 1.400 empregados da empresa. As demissões foram efetivadas no dia 11. No dia seguinte (12), a empresa ingressou com pedido de Recuperação Judicial.

Realizadas sem negociação com o Sindicato, as demissões causaram surpresa e muita incerteza aos trabalhadores, inclusive em relação ao pagamento das recisões, o que, segundo José Paulo da Silva Nogueira, diretor executivo do Sindicato, contribuiu para a decisão de parar a fábrica. “Estamos iniciando um processo de luta. Até segunda-feira a Arteb fica parada, aí faremos nova assembleia para deliberar os próximos passos. Queremos que a empresa respeite os trabalhadores. Sem diálogo conosco, de uma hora pra outra, ela deixou 370 pessoas sem emprego e sem saber como serão pagos seus direitos. A fábrica sinaliza que pode utilizar a legislação de recuperação judicial para pagar a indenização dos companheiros e isso deixa o trabalhador completamente sem previsão de quando vai receber. Um processo como esse pode durar até um ano, um ano e meio, o que é inaceitável”, ressalta o dirigente.

José Paulo afirma que o Sindicato entende as dificuldades enfrentadas pela empresa e está disposto a ajudar procurando alternativas para que ela supere esse momento. No entanto, não pode aceitar uma decisão unilateral, sem diálogo, que coloca em risco direitos dos trabalhadores: “Sabemos da importância da Arteb, uma empresa nacional, que está há 80 anos em São Bernardo. Estamos totalmente abertos para dialogar. Esperamos iniciar um processo de negociação a partir de agora de forma a superarmos essa crise e garantir os empregos e os direitos dos companheiros”, afirma.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, destaca a importância da paralisação e, especialmente, a demonstração de solidariedade dos trabalhadores de toda a fábrica com aqueles que foram demitidos. “É importante este gesto de solidariedade numa situação com esta. Até agora a empresa não deu, sequer, garantias de como vai indenizar os companheiros. Não podemos aceitar isso. Nosso movimento é muito importante para fortalecer a representação dos trabalhadores na mesa de negociação”, reforça.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 16/08/2023
  • Fonte: FERVER