Após 30 anos, Campinas estuda reativação do VLT
Especialistas analisam falhas passadas e novas oportunidades de transporte
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 17/02/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A Prefeitura de Campinas reconhece que a baixa adesão dos usuários foi um dos principais motivos que levaram à desativação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Com isso, um novo estudo está sendo desenvolvido para avaliar a viabilidade de reintroduzir o sistema na cidade.
Embora Campinas seja vista por muitos como uma cidade que ainda não incorporou efetivamente os meios de transporte sobre trilhos, sua relação com esse modal remonta a décadas passadas. O VLT, que operou entre 1990 e 1995, foi o primeiro do Brasil, mas nunca conseguiu atingir as expectativas em termos de eficiência e número de passageiros.
No dia 17 de fevereiro, marcaram-se 30 anos desde a última viagem do VLT, e especialistas discutem quais fatores contribuíram para o seu encerramento prematuro. As análises variam desde a localização das estações até a falta de integração com os terminais de ônibus.
A construção do VLT foi uma parceria entre o Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura, em colaboração com a empresa estatal Fepasa. Inicialmente, o sistema compreendia oito estações, mas apenas quatro foram concluídas antes da desativação, resultando em um percurso de 7,9 km.
Segundo informações oficiais da Prefeitura, o VLT possuía capacidade para transportar até 75 mil passageiros diariamente; no entanto, a demanda real não ultrapassou quatro mil usuários por dia. A expectativa era de que o sistema atendesse cerca de 20 mil passageiros diariamente.
A professora Vanessa Bello, especialista em modais da PUC-Campinas, destaca que embora a reutilização da antiga malha ferroviária tenha sido uma iniciativa inovadora para a época, a localização das estações impactou negativamente na aceitação popular do transporte. “As estações foram construídas em áreas com baixa densidade populacional e muitas delas estavam cercadas por terrenos vazios ou industriais”, explica.
Vanessa argumenta que o projeto falhou ao não considerar as origens e destinos dos usuários na definição das paradas. “Houve uma falta de planejamento integrado entre uso do solo e transporte público”, conclui.
Outro aspecto crítico apontado por Diogenes Contijo, ex-diretor da Fepasa, é a ausência de integração com linhas de ônibus. Ele enfatiza que sem essa conexão vital entre os modais, o VLT estava fadado ao fracasso. “A integração foi prevista mas nunca implementada”, afirma Diogenes, ressaltando a importância de um plano coeso que vinculasse os transportes públicos.
A cultura automotiva predominante também é um ponto levantado por especialistas. A falta de um sistema robusto de transporte ferroviário limita as opções da população e perpetua um modelo baseado em veículos pessoais. Vanessa critica essa realidade ao afirmar que Campinas, com sua vasta população, deveria ter opções mais eficientes e menos onerosas para mobilidade urbana.
O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) é um sistema de transporte ferroviário leve projetado para operar em vias segregadas. Apesar das semelhanças com trens convencionais, o VLT é caracterizado por ser mais ágil e menos volumoso.
Embora Campinas tenha sido pioneira na implementação desse modal no Brasil, outras cidades como Santos, Rio de Janeiro e Recife seguiram seu exemplo posteriormente. Em uma nova tentativa de revitalização do transporte sob trilhos na região, o governo paulista anunciou um projeto para implantar um novo VLT ligando Campinas a Sumaré. Com investimentos previstos em R$ 2,6 bilhões, este projeto contempla duas novas linhas sem prazo definido para execução.
Essas reflexões sobre o passado do VLT em Campinas abrem espaço para discussões sobre as oportunidades futuras no desenvolvimento do transporte urbano na metrópole.