Apagões digitais recentes deixam lições cruciais para 2026

Especialistas da FEI alertam sobre a fragilidade da infraestrutura que sustenta a economia global.

Crédito: Via Gemini

O cenário tecnológico recente foi marcado por uma série de falhas críticas em infraestruturas de nuvem, configurando o que especialistas classificam como apagões digitais. No último mês, três das maiores provedoras globais — Amazon Web Services (AWS), Microsoft Azure e Cloudflare — enfrentaram instabilidades severas, deixando sites, aplicativos corporativos e serviços essenciais inoperantes por horas.

Esses eventos de apagões digitais não afetam apenas o setor de tecnologia, mas paralisam serviços públicos e a rotina de milhões de pessoas. No dia 20, uma falha em um data center da AWS nos Estados Unidos gerou repercussão mundial, atingindo inclusive o Brasil. Pouco depois, o Azure sofreu interrupções que derrubaram ferramentas vitais de produtividade, como Outlook, Teams e OneDrive.

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O impacto da concentração nos Hyperscalers

Mais recentemente, em 18 de novembro, a Cloudflare registrou uma pane global causada por um arquivo de configuração de gerenciamento de bots que cresceu inesperadamente. O erro gerou falhas do tipo 5xx, afetando gigantes como ChatGPT, X (antigo Twitter), Spotify e Canva. Embora corrigida em algumas horas, a situação expôs a vulnerabilidade da dependência de uma única infraestrutura.

Essas companhias, conhecidas como hyperscalers, são provedores capazes de processar dados de milhões de usuários simultaneamente. É sobre essas plataformas que operam lojas virtuais, bancos e redes sociais. Quando ocorrem apagões digitais nesses ambientes, servidores (EC2), armazenamento (S3) e sistemas de endereçamento (DNS) param, causando prejuízos incalculáveis.

A visão dos especialistas da FEI

A professora Leila Bergamasco, coordenadora do curso de Ciência da Computação e do CDIA da FEI, analisa que esses apagões digitais revelam o perigo de uma estrutura centralizada.

“Quando poucos provedores concentram boa parte da internet, uma falha localizada pode ter reflexos globais”, explica a especialista.

Os efeitos colaterais atingiram desde plataformas de e-commerce até aplicativos de transporte e sistemas de pagamento, demonstrando que a economia moderna é refém dessas infraestruturas invisíveis. A recorrência desses apagões digitais acende um alerta sobre a necessidade de robustez nos sistemas.

Planos de contingência são obrigatórios

Para o professor Ricardo de Carvalho Destro, também da FEI, as empresas não podem mais operar sem estratégias de backup robustas para mitigar os danos de futuros apagões digitais. Ele utiliza uma analogia clara para descrever o risco atual:

“É como depender de uma única usina para abastecer uma cidade inteira. Se houver um problema, tudo apaga”, exemplifica Destro.

Segundo o docente, é vital que as organizações tenham planos de contingência, cópias de segurança e redundância para manter seus sistemas online. A nuvem tornou-se tão essencial quanto a energia elétrica e, como tal, exige transparência e protocolos de resposta rápidos.

Leila Bergamasco conclui reforçando que o foco não deve ser apenas punitivo, mas preventivo: “Esses episódios devem servir de aprendizado. Não se trata de apontar culpados, mas de entender que o mundo conectado também é vulnerável e precisa de planos para reagir”.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 24/11/2025
  • Fonte: Fever