Apagão em Portugal e Espanha gera caos e deixa cidades no escuro por mais de 12 horas

Interrupções afetam transporte, saúde e provocam pânico entre a população

Crédito: Rua de Havana na noite deste sábado (19), durante o apagão – Adalberto Roque – 19.out.2024/AFP

Um apagão de grandes proporções atingiu nesta segunda-feira (28) a Península Ibérica, deixando milhões de pessoas sem energia elétrica em Portugal e na Espanha. O colapso afetou também, de forma menos intensa, partes da França, Bélgica e Andorra. Mesmo após mais de 12 horas, várias cidades continuavam sem eletricidade, enquanto os governos de Lisboa e Madri corriam para restabelecer os serviços essenciais.

A crise impactou profundamente o transporte público, o setor aéreo e hospitais, provocando atrasos, cancelamentos e restrições de atendimento. Em Lisboa e Madri, o metrô foi fechado, o tráfego ficou caótico com semáforos desligados e centenas de pessoas foram retiradas de vagões de trem parados. A população, temendo um agravamento da situação, lotou supermercados em busca de itens básicos.

Investigações descartam ciberataque, mas causas seguem incertas

Logo após o início do apagão, autoridades espanholas e portuguesas investigaram a possibilidade de um ataque cibernético, especulação reforçada pelo Instituto Nacional de Cibersegurança da Espanha (Incibe) e pelo ministro português Manuel Castro Almeida. Rumores sobre envolvimento russo chegaram a circular, mas perderam força ao longo do dia.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que não há evidências de sabotagem. Especialistas passaram a considerar como mais provável uma falha na interligação elétrica entre Espanha e França. Eduardo Prieto, diretor de operações da Rede Elétrica da Espanha (REE), apontou que o problema pode ter sido causado por essa interrupção e que a normalização completa pode demorar até uma semana.

Impacto no cotidiano e resposta dos governos

O blecaute paralisou a vida nas principais cidades afetadas. Em Madri, o metrô parou, causando congestionamentos e aglomerações nas ruas. O transporte ferroviário foi interrompido em todo o país, impactando mais de 30 mil passageiros. Até eventos esportivos foram suspensos, como o torneio de tênis ATP Masters 1.000, que precisou interromper partidas em andamento.

Hospitais operaram apenas em regime de emergência, e aeroportos acionaram geradores para manter operações mínimas. Apesar disso, houve atrasos e cancelamentos de voos em toda a Espanha e Portugal. Para enfrentar a crise, o governo espanhol criou um gabinete de emergência, enquanto em Portugal, uma reunião extraordinária de ministros foi convocada.

Apagões dessa magnitude são raros na Europa, mas o episódio relembrou eventos similares ocorridos em 2003 e 2006. Desta vez, a extensão dos danos levou autoridades a reforçar medidas de contingência e acelerar investigações sobre a vulnerabilidade das redes de energia.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 28/04/2025
  • Fonte: FERVER