António José Seguro é eleito o novo presidente de Portugal
Socialista vence André Ventura com 64% dos votos e assume a liderança do país em meio a desafios climáticos e um inédito segundo turno.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 08/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
António José Seguro, do Partido Socialista, confirmou o favoritismo e é o novo presidente de Portugal, conforme indicam as pesquisas de boca de urna e a apuração oficial. Dados da agência Reuters, com 70% das urnas processadas, mostram o candidato de esquerda consolidado com 64% dos votos válidos, impondo uma derrota significativa a André Ventura.
O adversário, líder do partido de extrema direita Chega, obteve 36% da preferência do eleitorado. O embate encerrou o segundo turno das eleições presidenciais realizado neste domingo (8), um marco histórico para a democracia lusitana.
As projeções divulgadas logo após o fechamento das urnas corroboraram a vitória. Levantamentos das 19h (horário local) apontaram António José Seguro flutuando entre 67% e 73% dos votos, enquanto Ventura estagnou na faixa de 27% a 33%.
O triunfo de António José Seguro contra o radicalismo
A vitória já era antecipada por sondagens de intenção de voto nas últimas semanas. O fator decisivo para a eleição de António José Seguro foi o alto índice de rejeição do oponente, que atingiu cerca de 60% dos eleitores.
Apesar do revés nas urnas, André Ventura, de 43 anos, mantém uma trajetória ascendente. O crescimento do apoio ao Chega reflete a expansão da extrema direita na Europa. No ano anterior, a legenda tornou-se a segunda maior força parlamentar, superando os próprios socialistas.
Este pleito carrega um simbolismo histórico: foi a primeira vez em 40 anos que Portugal necessitou de um segundo turno, evidenciando a fragmentação política. O país despede-se da era de Marcelo Rebelo de Sousa, de centro-direita, que governou por quase uma década com perfil conciliador.
Aos 63 anos, António José Seguro posicionou-se estrategicamente como um moderado. Durante a campanha, ele prometeu cooperação com o governo minoritário de centro-direita e repudiou as pautas anti-imigração de Ventura. Essa postura garantiu o apoio vital de políticos tradicionais de ambos os espectros que buscavam conter a onda populista.
Impacto climático adia votação em municípios
As severas condições meteorológicas influenciaram a logística do pleito que consagrou António José Seguro. Tempestades recentes forçaram o adiamento da votação em municípios do sul e centro do país, afetando cerca de 37 mil eleitores (0,3% do total).
A decisão gerou atritos políticos:
- André Ventura (Chega): Criticou a manutenção da data, alegando desrespeito aos cidadãos atingidos e sugerindo adiamento total em solidariedade às vítimas.
- António José Seguro (PS): Prestou solidariedade às famílias, mas defendeu a ida às urnas como um ato de soberania para definir o futuro da nação.
“Espero que estas melhores condições meteorológicas permitam que as pessoas saiam para votar. Este é o momento em que o povo é soberano (…) Expresso também a minha solidariedade a todas as famílias que estão a atravessar momentos difíceis”, declarou o socialista.
O cenário é agravado pela passagem da tempestade Kristin no final de janeiro, que deixou cinco mortos e meio milhão de pessoas sem energia. Ainda assim, a legitimidade do processo eleitoral foi mantida, garantindo que António José Seguro assuma a presidência pelos próximos cinco anos.