Antissemitismo cresce 350% no Brasil entre 2022 e 2024, aponta relatório
Relatório da Fisesp e Conib destaca explosão de casos após conflito Israel-Hamas e alerta para radicalização online e entre jovens
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 15/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Um novo relatório sobre o antissemitismo no Brasil, elaborado pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), revela um crescimento expressivo nas denúncias desse tipo de crime. Segundo o estudo, as queixas aumentaram em 350% entre 2022 e 2024, com um pico alarmante registrado logo após o início do conflito entre Israel e Hamas.
Em outubro de 2023, no primeiro mês do embate, os registros de antissemitismo dispararam em mais de 1000% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O relatório, divulgado na última terça-feira, 15, destaca que o ambiente digital tornou-se um dos principais locais para a disseminação desse tipo de intolerância. De acordo com os dados, a proporção de denúncias realizadas por meio de plataformas digitais saltou de 51% em 2022 para 73% em 2024.
Cresce radicalização entre jovens e ataques físicos
Alexandre Judkiewiz, diretor executivo de segurança da Fisesp e do Departamento de Segurança Comunitária (DSC), alertou para um processo crescente de radicalização, especialmente entre jovens influenciados por grupos internacionais. “O Brasil tem se tornado um espaço significativo para a radicalização, tanto por parte da extrema direita e ultranacionalistas brancos quanto por organizações extremistas como o ISIS”, declarou Judkiewiz.
Além das manifestações online, o relatório também aponta problemas nos espaços físicos. As denúncias mais frequentes incluem vandalismos, como pichações com conteúdo nazista, seguidas por agressões verbais e físicas. As entidades responsáveis têm encaminhado essas ocorrências às autoridades competentes, destacando a urgência na implementação de medidas eficazes.
Resposta institucional e combate à intolerância
Daniel Kignel, diretor jurídico da Fisesp, ressaltou a resposta positiva das esferas pública e judicial diante dessas denúncias. “Tanto o Executivo quanto o Legislativo e o Judiciário têm demonstrado um comprometimento real. A Polícia Civil e a Polícia Federal estão recebendo nossas denúncias e agindo conforme esperado, reconhecendo a gravidade do antissemitismo como uma forma de racismo”, afirmou Kignel.
Este relatório evidencia não apenas um aumento nas ocorrências de antissemitismo no Brasil, mas também a necessidade urgente de ações eficazes para combater esse tipo de intolerância.