Antibiótico na infância: quando o excesso vira risco

Uso indiscriminado pode afetar imunidade, microbiota intestinal e aumentar resistência bacteriana ao longo da vida

Crédito: (Divulgação

Com o aumento de quadros respiratórios ao longo do ano, a prescrição de antibióticos tornou-se frequente na infância. Pediatras, no entanto, reforçam um alerta importante: nem toda inflamação ou infecção exige esse tipo de medicação. Em casos virais, bastante comuns em crianças, o antibiótico não tem efeito e pode causar impactos duradouros na saúde.

Segundo o pediatra Hamilton Robledo, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o medicamento não atua apenas sobre bactérias nocivas. “O antibiótico não seleciona alvos. Ele elimina também as bactérias benéficas, fundamentais para o equilíbrio do organismo”, explica. Esse processo pode provocar alterações importantes na microbiota intestinal, afetando diretamente a imunidade.

Os impactos invisíveis do uso repetido

O uso recorrente de antibióticos nos primeiros anos de vida pode gerar consequências que vão além do tratamento imediato da infecção. Estudos associam esse hábito a uma série de efeitos colaterais de médio e longo prazo.

Entre os principais riscos estão o desequilíbrio intestinal, que pode causar diarreias frequentes e redução das defesas naturais do organismo, além do aumento da propensão a alergias, como asma, rinite e intolerâncias alimentares.

Outro ponto crítico é o avanço da resistência bacteriana. Quando expostas repetidamente aos antibióticos, as bactérias tornam-se mais fortes e adaptadas, dificultando tratamentos futuros. Em situações de uso excessivo, especialistas também observam associações com impactos no desenvolvimento infantil, incluindo aspectos neurológicos, ainda em investigação científica.

Quando o antibiótico é indispensável

Crianças Remédios - Antibióticos - Comprimidos
(Imagem/Freepik)

Apesar dos riscos do uso inadequado, o antibiótico segue sendo uma ferramenta essencial da medicina quando bem indicado. Ele é fundamental em casos de infecção bacteriana comprovada, como pneumonia, infecção urinária e otite com presença de pus.

Nessas situações, o diagnóstico clínico aliado a exames é decisivo para definir o tratamento correto e evitar complicações graves.

Orientações essenciais para pais e cuidadores

Para reduzir riscos e garantir um cuidado mais seguro em 2026, especialistas reforçam algumas recomendações práticas:

  • Aguardar a avaliação médica em quadros leves, como febre baixa, coriza e tosse, geralmente associados a vírus.
  • Questionar a necessidade de exames confirmatórios, como o teste para estreptococo em casos de dor de garganta.
  • Evitar totalmente a automedicação e o uso de sobras de antibióticos de tratamentos anteriores.
  • Priorizar medidas de suporte, como hidratação, repouso e controle da febre, que costumam ser suficientes em infecções virais.
  • Manter o calendário vacinal atualizado, reduzindo o risco de doenças que podem evoluir para infecções bacterianas.

Para o Dr. Robledo, a responsabilidade é compartilhada entre médicos e famílias. “Usar antibióticos com critério protege a saúde da criança hoje e preserva a eficácia desses medicamentos para o futuro”, conclui.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 31/12/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo