Ano do Cavalo marca nova virada do calendário chinês
Celebração do Ano Novo Lunar mobiliza cidades, impulsiona consumo e provoca a maior migração humana do planeta
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 16/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Cidades em toda a China iniciaram os preparativos para o Ano do Cavalo, que terá início em 17 de fevereiro, marcando a transição do Ano da Cobra para este novo ciclo do zodíaco. Shoppings e espaços públicos já recebem decorações alusivas ao cavalo, enquanto outdoors exibem mensagens festivas. Nos celulares, emojis de cavalos e envelopes vermelhos — símbolos de prosperidade e presentes monetários tradicionais — dominam as telas.
O Ano do Cavalo, conhecido como Festival da Primavera, é celebrado por 15 dias e culmina no Festival das Lanternas. Mais do que uma mudança de calendário, para os chineses, o evento representa um momento de reunião familiar e renovação de esperanças.
Entendendo o Zodíaco Chinês e o Ano do Cavalo

Compreender o Ano do Cavalo de Fogo exige desfazer alguns equívocos comuns. Diferentemente do calendário gregoriano, o Ano Novo Lunar não começa em 1º de janeiro, mas segue um calendário lunissolar, podendo ocorrer entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro, geralmente na segunda lua nova após o solstício de inverno.
Além disso, embora os signos se repitam a cada 12 anos, o ciclo completo do zodíaco, que combina animais e elementos, reinicia a cada 60 anos. Cada ano combina um dos 12 animais com um dos 10 troncos, representando Yin e Yang dos cinco elementos: Metal, Água, Madeira, Fogo e Terra. Este ano, a combinação é conhecida como Bing Wu, que une o Fogo Yang ao signo do Cavalo.
Significado e simbolismo do Ano do Cavalo de Fogo
O Ano do Cavalo de Fogo é visto como uma combinação poderosa dentro do zodíaco chinês. O Fogo Yang simboliza energia e paixão, enquanto o cavalo representa independência e movimento. Expressões relacionadas a cavalos frequentemente remetem a sucesso rápido e impulso contínuo, sobretudo no ambiente profissional.
Christian Yao, professor sênior da Escola de Administração da Universidade Victoria de Wellington, na Nova Zelândia, afirma que termos ligados aos cavalos devem aparecer com frequência em discursos e comunicações corporativas ao longo de 2026, motivando funcionários a incorporar características do Cavalo de Fogo, como proatividade e agilidade.
Comercialização e cultura urbana do Ano do Cavalo
Embora suas origens sejam milenares, o zodíaco chinês integra atualmente a cultura contemporânea, aparecendo em campanhas publicitárias e espaços urbanos. Lojas, estações de transporte e áreas comerciais têm incorporado símbolos do Ano do Cavalo em suas decorações.
Marcas lançam produtos temáticos, com predominância de cores vermelhas e referências ao cavalo, impactando setores como alimentos, cosméticos e tecnologia. A festividade também se associa a tendências de crescimento em inteligência artificial e inovação tecnológica.
A maior migração humana e os desafios do Ano do Cavalo
O Ano do Cavalo também marca o período da maior migração humana do mundo. Milhões de trabalhadores viajam para suas cidades natais, e este ano estima-se 9,5 bilhões de deslocamentos dentro da China. Apesar do simbolismo de rapidez do cavalo, passageiros enfrentam problemas como escassez de passagens e preços elevados.
Nas redes sociais, jovens ironizam sobre as oportunidades prometidas pelo Cavalo de Fogo, descrevendo-se como “cavalos mancos presos em aplicativos”, refletindo a distância entre expectativas e realidade. No ambiente corporativo, metáforas com animais coexistem com o sentimento de sobrecarga, conhecido na gíria como “niuma”, revelando a tensão entre inspiração pública e exaustão privada.